Huawei e Xiaomi deixam modelos baratos de lado e avançam nos dobráveis
Com a alta dos componentes e a retração das vendas, fabricantes chineses reduzem o foco nos aparelhos de entrada e apostam em dobráveis premium para preservar margens.

Divulgação
Custo de componentes pressiona os preços
A Huawei e a Xiaomi apresentaram seus mais recentes celulares dobráveis com preços elevados, sinalizando uma mudança na estratégia das duas gigantes chinesas. O Huawei Mate XT 2, modelo que se dobra em três partes, começa em 19.999 yuans, aproximadamente US$ 2.980, valor 2.000 yuans superior ao do antecessor. Já o Xiaomi 18 Fold parte de 10.999 yuans, cerca de US$ 1.639. Em ambos os lançamentos, os executivos apontaram o aumento no custo do armazenamento como um dos principais fatores para o reajuste.
A pressão sobre os preços não se limita aos modelos recém-anunciados. Fabricantes como a Honor também elevaram recentemente o valor de aparelhos já disponíveis, em alguns casos em até 20%. Os lançamentos previstos para 2026 registram alta média de 25% em comparação com gerações anteriores, reflexo direto da valorização global de chips de memória e de outros componentes essenciais para a produção de smartphones.
Segmento de entrada perde espaço
O avanço dos custos atingiu principalmente os celulares básicos. As vendas de modelos vendidos por menos de US$ 100 caíram quase pela metade no segundo trimestre de 2026. Diante da redução das margens, as empresas passaram a revisar seus portfólios e a retirar gradualmente aparelhos de baixo custo, segmento que oferece menor retorno financeiro e enfrenta demanda cada vez mais fraca.
Essa movimentação indica que a alta dos preços pode provocar uma transformação duradoura no mercado, e não apenas um reajuste temporário. Para manter receita e rentabilidade, as fabricantes precisam vender dispositivos mais caros, com maior valor agregado e recursos capazes de justificar o investimento por parte do consumidor.
Dobráveis viram aposta premium
Os celulares dobráveis tornaram-se uma das principais alternativas para sustentar o faturamento das marcas. Em geral, esses aparelhos custam até três vezes mais do que os modelos convencionais e permitem às empresas explorar recursos exclusivos, telas flexíveis e acabamentos sofisticados. A estratégia ganha força antes do evento de outono da Apple, no qual é esperada a apresentação do primeiro iPhone dobrável.
A entrada da Apple pode ampliar ainda mais o interesse por esse segmento. Projeções indicam que os dobráveis da empresa americana podem ultrapassar 17 milhões de unidades entregues até 2027. Para as fabricantes chinesas, contudo, o desafio será convencer consumidores a pagarem mais por tecnologia premium em um cenário de compras mais cautelosas.
Mercado global registra retração
As remessas mundiais de smartphones recuaram até 11% no segundo trimestre, alcançando o menor nível desde 2013. Marcas com forte presença no segmento básico, como Xiaomi, Oppo e Vivo, enfrentaram quedas de dois dígitos enquanto parte dos consumidores adiou a troca de aparelho. A aposta nos dobráveis reduz a dependência dos modelos baratos, mas não elimina os riscos de um mercado global menor e mais competitivo.
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