Bmw questiona preços de carros chineses: 'não faz sentido comercialmente'
O CEO da BMW, Milan Nedeljković, criticou os valores praticados por montadoras chinesas na Europa e alertou que distorções podem aumentar a pressão por barreiras comerciais. A empresa, porém, não defende uma nova escalada tarifária e aposta em acordos entre a União Europeia e a China.

Divulgação
A BMW voltou a colocar a concorrência chinesa no centro do debate sobre o futuro da indústria automotiva europeia. Poucas semanas após anunciar o corte de cerca de 8 mil empregos na Europa, o novo CEO da marca, Milan Nedeljković, questionou os preços praticados por fabricantes chinesas no continente.
Preços sob questionamento
Para o executivo, alguns veículos chineses são oferecidos na Europa por valores que “não fazem sentido comercialmente”. A crítica não apresenta uma acusação direta de dumping, prática em que um produto é exportado por preço inferior ao seu valor normal, mas sinaliza preocupação com a sustentabilidade dessas condições comerciais.
Nedeljković afirmou que distorções dessa natureza podem prejudicar a concorrência e fortalecer grupos favoráveis à adoção de medidas protecionistas. A BMW depende fortemente do comércio internacional e, por isso, mantém uma posição favorável a mercados abertos, desde que as regras sejam equilibradas e aplicadas de forma justa.
BMW reduz custos na Europa
A fala ocorre em um momento delicado para a montadora alemã. A BMW anunciou a eliminação de aproximadamente 8 mil postos de trabalho até o fim de 2027, por meio de um programa de demissão voluntária. A medida faz parte de um plano de redução de custos após queda de 35% no lucro antes dos impostos no segundo trimestre e resultados abaixo do esperado em mercados importantes.
A China é um dos principais pontos de pressão para a BMW. As vendas do grupo no país recuaram de 847,9 mil carros em 2021 para cerca de 626 mil unidades em 2025, enquanto marcas locais ganharam espaço rapidamente. Mesmo com a retração, o mercado chinês continuou sendo o maior da BMW em vendas individuais no último ano.
Tarifas europeias já estão em vigor
A disputa comercial entre Europa e China já resulted em medidas concretas. Desde 2024, a União Europeia cobra tarifas compensatórias adicionais sobre carros elétricos produzidos na China, após concluir uma investigação sobre subsídios. As alíquotas incluem 17% para a BYD, 18,8% para a Geely e 35,3% para a SAIC, com vigência prevista de cinco anos.
Apesar das críticas, o CEO da BMW não defende simplesmente elevar barreiras contra os veículos chineses. A preferência da empresa é por negociações entre Bruxelas e Pequim, com acordos voluntários que possam estabelecer condições comerciais mais próximas das práticas de mercado.
A Comissão Europeia também mantém aberta a possibilidade de compromissos de preço como alternativa dentro das regras que regulam as medidas compensatórias. O desafio será conciliar a expansão das montadoras chinesas na Europa com a recuperação de margens e a competitividade das fabricantes tradicionais.
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