Sem medo de ser mulher: quem é a pescadora brasileira homenageada pela ONU
Joana Mousinho, pernambucana de 70 anos, foi reconhecida pela FAO como uma das 100 Mulheres Heroínas da Organização das Nações Unidas em Sistemas Agroalimentares e Desenvolvimento Rural. Sua trajetória é marcada pela luta incansável pelos direitos das mulheres na pesca artesanal.

Divulgação
A força e a resiliência de Joana Mousinho, uma pernambucana de 70 anos, ganharam o reconhecimento internacional. Homenageada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em Roma, como uma das 100 Mulheres Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural, Joana representa a luta de tantas mulheres que, como ela, dedicam suas vidas à pesca artesanal e ao desenvolvimento rural no Brasil.
Uma vida dedicada à pesca e à luta por direitos
Desde os oito anos de idade, Joana Mousinho está imersa no universo da pesca em Itapissuma, Pernambuco. Sua jornada, no entanto, não se limitou à atividade pesqueira. Orientada por uma freira, ela descobriu sua vocação para a defesa dos direitos trabalhistas das mulheres que atuam nesse setor. Essa vocação a levou a se tornar a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores no Brasil, um feito que abriu portas e inspirou muitas outras.
Desafios e conquistas de uma líder
A trajetória de Joana foi pavimentada por embates e superação. Ela relembra os desafios de lutar contra a poluição causada por usineiros e a devastação de mangues por latifundiários, além de enfrentar a resistência dentro de sua própria colônia. Uma de suas maiores vitórias foi a conquista da aposentadoria para as pescadoras casadas, um direito que exigiu muita persistência e a superação de preconceitos. Joana é também uma das fundadoras da Articulação Nacional das Pescadoras, demonstrando seu compromisso contínuo com a causa.
Orgulho e legado para as futuras gerações
Ao receber a homenagem, Joana Mousinho expressou profunda emoção, destacando que o reconhecimento é para todas as produtoras rurais do país. A entrada com a bandeira do Brasil em Roma foi um momento marcante, simbolizando a força e a união das mulheres. Ela ressalta a semelhança entre a dependência das agricultoras da terra e a das pescadoras dos estuários, rios, lagoas e do mar para o sustento. Com orgulho de sua profissão, Joana celebra o florescer da pequena semente que plantou no passado, colhendo hoje os bons frutos de sua luta: "Sem medo de ser mulher". Ao seu lado, a líder indígena Luena Maria Ferreira dos Santos, Luena Pataxó, também foi homenageada, reforçando a importância da diversidade e da representatividade no setor.
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