Seleon prevê retorno do investimento em dois anos e meio e mira exportação de genética equina
Com uma central de R$ 10 milhões em operação desde 2026, a Seleon Biotecnologia planeja recuperar o investimento em três estações reprodutivas e iniciar exportações de genética equina para os Estados Unidos.

Divulgação
A Seleon Biotecnologia espera recuperar em dois anos e meio os R$ 10 milhões investidos na nova central de reprodução equina, que começou a operar em 2026. O prazo estimado corresponde a três estações reprodutivas e faz parte de um plano de negócios que combina crescimento comercial, pesquisa e expansão para mercados externos.
A exportação de genética equina para os Estados Unidos deve começar no próximo mês e será um dos principais eixos da estratégia da empresa. A Seleon já atua nesse segmento com bovinos e avalia que a equinocultura brasileira tem espaço para crescer além dos países vizinhos, alcançando mercados com perfis de produção e consumo mais diversos.
Capacidade atual atende ao primeiro ciclo de expansão
Os valores dos próximos investimentos ainda não foram definidos, mas devem priorizar tecnologia em vez da ampliação da estrutura física. A central, localizada em Itatinga, no interior de São Paulo, comporta 30 garanhões. Como os animais deixam o local após a coleta, a capacidade instalada é considerada suficiente nesta etapa.
Cinco garanhões já estão em processo de coleta. Outros devem chegar nas próximas semanas, incluindo o árabe Medan Al Shaqab. A empresa também prevê embarques de genética mangalarga. Durante os primeiros meses, o trabalho foi dedicado ao ajuste de protocolos, e o volume maior de produção deve ocorrer na primavera, quando se intensifica a estação reprodutiva.
Mercado cresce, mas ainda carece de infraestrutura
O Brasil possui mais de 5 milhões de cavalos e tem o quarto maior rebanho do mundo. No quarto de milha, ocupa a segunda posição. O avanço do setor após a pandemia veio acompanhado do aumento no número de animais, criadores e competições, mas a estrutura voltada à reprodução e ao melhoramento genético ainda não cresceu no mesmo ritmo.
A Seleon ainda não estabeleceu qual porcentagem da produção será destinada ao exterior. Na genética bovina, as exportações representam cerca de 10% do volume. A companhia pretende acompanhar a resposta dos mercados internacionais antes de definir uma participação semelhante para a linha equina.
Tecnologia aumenta produtividade e rastreabilidade
Cada garanhão é coletado, em média, de duas a três vezes por semana, conforme a reposição de sêmen, a demanda e a estratégia comercial. Uma coleta gera de dez a 12 doses inseminantes. O preço varia conforme o valor da genética, e algumas coberturas podem alcançar R$ 500 mil.
A central aplica tecnologias já usadas na bovinocultura, como sêmen congelado de alta performance, rastreabilidade, tokenização em blockchain e sexagem. A empresa também utiliza equipamentos modernos para envase, criopreservação e análise computadorizada. Quando atingir a capacidade máxima, a estimativa é produzir 360 mil doses por ano.
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