Rio Grande do Sul pode perder 94% de seus produtores de leite em 25 anos
Estudo aponta que, mantendo o ritmo atual de abandono, o Rio Grande do Sul terá menos de dois mil produtores de leite em 2051. Apesar da queda no número de famílias, a produção estadual e nacional cresce devido ao aumento da produtividade e à profissionalização do setor.

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Queda histórica dos produtores
Entre 2015 e 2025, mais de 55 mil famílias deixaram de produzir leite no Rio Grande do Sul. Segundo o pesquisador Wagner Beskow, da consultoria Transpondo, com base nos dados da Emater/RS, se esse ritmo de abandono continuar, o estado terá menos de 1,7 mil produtores em 2051, o que equivale a uma perda de quase 94% dos atuais 29 mil produtores.
Fatores que levam ao abandono
Um levantamento da Emater/RS em 385 municípios ouviu 571 famílias que saíram da atividade. Entre os motivos internos, a penosidade do trabalho aparece em 66,4% das respostas, seguida pela falta de mão de obra familiar (61,3%) e pelo desinteresse dos filhos (37,8%). Nos fatores externos, o baixo preço do leite (79,3%) e o alto custo de insumos (66,7%) são os mais citados, segundo o extensionista rural Jaime Ries, que destaca a dificuldade de contratar trabalhadores tanto pelo custo quanto pela disponibilidade.
O que acontece depois da saída
Embora cerca de um terço dos entrevistados tenha relatado redução de renda, a maioria afirma estar satisfeita com as novas atividades que desenvolve. Muitos reconhecem que a produção leiteira permitiu financiar os estudos dos filhos, construir patrimônio e melhorar as condições de vida da família. Contudo, apenas 4% pretendem voltar a comercializar leite, enquanto 79,8% descartam qualquer retorno e 16,2% permanecem indecisos.
Produção em ascensão apesar da queda de produtores
Paradoxalmente, a produção de leite no Brasil subiu de 19,7 bilhões para 35,7 bilhões de litros entre 2000 e 2024, com a produtividade média por vaca passando de 1.105 para 2.362 litros/ano. No Rio Grande do Sul, o volume diário por propriedade saltou de menos de 100 litros para quase 500 litros, segundo Marcos Tang, presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando). Esse avanço se deve à concentração em propriedades com maior capacidade de investimento, ao aprimoramento genético e à maior eficiência das vacas, como ressalta Darlan Palharini, secretário executivo do Sindilat-RS.
Profissionalização e preocupações futuras
O setor leiteiro gaúcho vive uma dicotomia: por um lado, há uma clara profissionalização, com indústrias incentivando escala e produtividade; por outro, a contínua saída de famílias levanta preocupações sobre a sustentabilidade social da atividade. Jeferson Faria, da Apil/RS, afirma que, apesar dos avanços tecnológicos, a perda de produtores representa um risco para a diversidade da base produtiva e para a manutenção de conhecimentos tradicionais no campo.








