Preço do boi gordo sobe pelo segundo dia consecutivo em São Paulo
A arroba do boi gordo avançou em Araçatuba e Barretos, impulsionada pela oferta restrita de animais. Frigoríficos seguem cautelosos com estoques, mas pagam preços mais altos para manter a capacidade de abate.

Divulgação
O preço do boi gordo subiu pelo segundo dia consecutivo nas principais praças de São Paulo. Em Araçatuba e Barretos, referências para o mercado, a arroba do boi foi valorizada em R$ 2, reaching R$ 350. O boi China avançou R$ 3 e passou a R$ 355, enquanto a vaca ganhou R$ 5, cotada a R$ 330. A novilha permaneceu estável.
Oferta restrita sustenta as cotações
Altas também foram registradas em Goiânia, Marabá e Paragominas. Nas demais 28 regiões acompanhadas pela Scot Consultoria, os preços não mudaram na comparação diária. O movimento ocorre mesmo com o arrefecimento da demanda por carne na segunda quinzena, sinal de que a disponibilidade limitada de bovinos terminados continua sustentando o mercado.
Os pecuaristas mantêm o ritmo de vendas ajustado às necessidades de caixa, sem pressionar a oferta. No caso das fêmeas, os animais disponíveis são ainda menos numerosos do que os machos, o que favorece a valorização da vaca e reduz o ágio entre as categorias. Essa combinação dificulta a formação de estoques mais folgados nos frigoríficos.
Frigoríficos compram com cautela
Do lado dos compradores, predomina a atenção ao controle de estoques e aos custos de reposição. Ainda assim, as indústrias que precisam manter escalas de abate confortáveis aceitam pagar os valores pedidos. Negociações acima da referência média voltaram a ocorrer no mercado físico, em ambiente marcado pela chegada insuficiente de animais.
A Safras & Mercado avalia que os frigoríficos de maior porte enfrentam uma situação relativamente mais tranquila, pois contam com animais de parceria e, em alguns casos, com confinamentos próprios. Mesmo assim, o mercado acompanha de perto o ritmo das exportações e a resposta dos consumidores no varejo brasileiro.
Consumo deve perder força
No atacado, os preços permanecem acomodados nos patamares alcançados após as altas recentes. A entrada dos salários havia estimulado a reposição de estoques entre atacado e varejo na primeira metade do mês, mas a expectativa para a segunda quinzena é de consumo menos intenso.
Proteínas concorrentes limitam avanços
O Cepea destaca que frango e suíno seguem mais competitivos que a carne bovina. Até 16 de setembro, um quilo de carcaça casada bovina no atacado da Grande São Paulo equivalia a 3,20 quilos de frango resfriado e a 3,28 quilos de carne suína. Essa diferença reduz o espaço para novos aumentos, especialmente se a demanda interna continuar enfraquecendo.
O cenário, portanto, permanece equilibrado entre pressões opostas. A oferta enxuta protege as cotações, mas a cautela dos frigoríficos, o consumo doméstico mais fraco e a competitividade de outras proteínas impedem movimentos mais fortes. A tendência das próximas negociações dependerá do volume de animais ofertados e do fluxo de vendas para o mercado externo.
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