Jovem retorna ao campo e assume sucessão de alambique familiar
A tecnóloga em gestão ambiental Aline Alves Pereira voltou à propriedade da família em Igarapé, em Minas Gerais, para profissionalizar a produção artesanal de cachaça iniciada há 43 anos. Com regularização, prêmios e planos de expansão, o negócio familiar ganha nova fase.

Divulgação
A tecnóloga em gestão ambiental Aline Alves Pereira trocou a perspectiva de seguir uma trajetória profissional fora da propriedade rural para assumir um papel central no negócio da família. Em 2024, passou a integrar oficialmente a rotina do Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O local mantém há 43 anos a produção artesanal da cachaça Durvalina, hoje conduzida por diferentes gerações.
Profissionalização marca a sucessão no alambique
Aline atua na área administrativa há cerca de três anos e meio, ao lado da irmã, Renata Alves Pereira. A chegada das duas deu novo ritmo à gestão do alambique, com foco em organização, regularização e abertura de mercados. O movimento ilustra um desafio cada vez mais presente no campo: preservar o conhecimento transmitido pelas famílias e, ao mesmo tempo, aplicar ferramentas administrativas capazes de aumentar a competitividade do negócio.
Entre as prioridades estava adequar a estrutura e os processos produtivos às exigências necessárias para formalizar a atividade. O trabalho incluiu reformas, ajustes na organização da produção e a emissão do Cadastro Nacional de Agricultura Familiar (CAF). A equipe da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) acompanhou as mudanças e apoiou a família durante essa etapa de transição.
Regularização amplia oportunidades de mercado
Com a formalização, o alambique ganhou condições de participar de concursos, fortalecer a imagem da marca e buscar novos canais de venda. A possibilidade de utilizar rótulos nos produtos representa uma mudança importante para apresentar a cachaça a comerciantes e consumidores de outras localidades. Atualmente, as vendas são direcionadas principalmente a pequenos comércios de Igarapé e da região.
O próximo passo é ampliar a distribuição para cidades vizinhas e iniciar vendas pela internet, em um site próprio. A estratégia pode aumentar o alcance da Durvalina sem desvincular o produto de sua origem. Para negócios artesanais, a história da família, o território e o método de produção são elementos que agregam valor e ajudam a diferenciar a bebida no mercado.
Produção artesanal combina tradição e reconhecimento
O alambique fabrica dois tipos de cachaça. A versão branca é armazenada em barris de madeira de amendoim, enquanto a amarela passa por envelhecimento em barris de amburana, processo que influencia aroma, cor e sabor. A bebida prata também passou a receber reconhecimento externo e figura entre as cinco finalistas de um concurso promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de estar inscrita em uma competição da Emater-MG.
Negócio iniciado pelo avô ganha nova fase
A história da Durvalina começou na década de 1980, depois que João Alves Pereira enfrentou prejuízos com o cultivo de hortaliças e decidiu buscar outra fonte de renda. Com o apoio do pai, Durval, construiu o alambique e iniciou a produção da bebida. O nome escolhido posteriormente passou a homenagear o patriarca da família, degustador de cachaça e peça fundamental para a criação do empreendimento.
Aos 74 anos, João continua acompanhando de perto as etapas da produção. Agora, trabalha ao lado da filha, que transforma o legado construído ao longo de quatro décadas em um negócio mais organizado e preparado para crescer. A sucessão no Sítio João Durval mostra que retornar ao campo pode significar mais do que dar continuidade a uma atividade tradicional: é também levar conhecimento técnico, planejamento e novas oportunidades para dentro da propriedade.
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