Dia Nacional da Cachaça: oito curiosidades sobre a bebida
Produção, distribuição, madeiras, indicações geográficas e regras legais ajudam a explicar a importância da cachaça para a cultura e a economia brasileiras.

Divulgação
A cachaça é uma das expressões mais conhecidas da cultura brasileira e ingrediente indispensável da caipirinha, mas sua relevância vai muito além dos bares e das festas populares. A bebida, produzida a partir da cana-de-açúcar, movimenta alambiques, indústrias, produtores rurais e negócios espalhados por centenas de municípios. Suas características variam conforme a região, o processo de fabricação e o tipo de armazenamento.
O Dia Nacional da Cachaça, celebrado em 13 de setembro, reforça a presença do destilado na identidade do país. A data também é uma oportunidade para conhecer a extensão de uma cadeia produtiva que combina tradição, diversidade territorial e crescente organização no mercado.
Brasil tem mais de 1,5 mil estabelecimentos produtores
O país reunia 1.538 estabelecimentos elaboradores de cachaça registrados em 2025, distribuídos por 844 municípios, conforme os dados do Anuário da Cachaça 2026. O mesmo levantamento identificou 8.379 produtos registrados. Minas Gerais concentrava 564 estabelecimentos, seguido por São Paulo, com 230, e Rio Grande do Sul, com 106. Em quantidade de cachaças registradas, Minas também aparecia na liderança, com 2.922 produtos, ante 1.185 em São Paulo.
Mais de um terço fica perto do local de produção
Apesar da distribuição nacional e da presença no exterior, boa parte da cachaça ainda é consumida próximo aos alambiques. Em 2025, 35,9% do volume declarado foi comercializado em um raio de até 100 quilômetros do local de produção. Outros 9,3% alcançaram mercados regionais situados entre 100 e 500 quilômetros. O comércio nacional correspondeu a 32,2% do volume, enquanto 22,1% chegaram aos mercados interno e internacional.
Minas Gerais concentra a maior parte dos produtores
A liderança mineira dimensiona a importância do estado para o setor. Minas Gerais abrigava 36,7% dos estabelecimentos elaboradores registrados no Brasil em 2025. A força do estado também aparece na variedade de rótulos: o estado reunia 2.922 das 8.379 cachaças registradas no país naquele ano, consolidando uma tradição produtiva associada a diferentes municípios e estilos de fabricação.
O tipo de madeira altera cor, aroma e sabor
O armazenamento e o envelhecimento podem transformar profundamente o perfil de uma cachaça. As madeiras usadas nos barris transferem compostos que influenciam a cor, os aromas e os sabores da bebida. Além do carvalho, produtores utilizam espécies brasileiras como amburana, bálsamo e jequitibá, criando estilos com características próprias e ampliando a diversidade encontrada no mercado.
Regiões com Indicação Geográfica
A Indicação Geográfica reconhece a relação entre território e produto. Em julho de 2026, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu Indicação de Procedência à cachaça de alambique do Circuito das Águas Paulista. A área inclui Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro. O reconhecimento se soma aos de Paraty, no Rio de Janeiro; Salinas, em Minas Gerais; e Luiz Alves, em Santa Catarina.
Cachaça também é uma indicação geográfica do Brasil
Além de regiões produtoras protegidas, a própria palavra cachaça é uma indicação geográfica brasileira. O Decreto nº 4.062, de 2001, passou a proteger as denominações cachaça, Brasil e cachaça do Brasil. Com isso, o termo permanece oficialmente associado ao produto brasileiro e não pode ser usado de forma indiscriminada para bebidas produzidas em outros países.
Cachaça e aguardente de cana têm regras diferentes
As duas bebidas compartilham a cana-de-açúcar como matéria-prima, mas não são nomes intercambiáveis. A legislação brasileira exige que a cachaça seja obtida do mosto fermentado do caldo de cana e apresente graduação alcoólica dentro dos parâmetros definidos para a bebida. A denominação cachaça é reservada à aguardente de cana produzida no Brasil conforme essas regras, o que impede que qualquer destilado de cana receba esse nome.
Produção brasileira passa de 200 milhões de litros
O tamanho da cadeia aparece no volume produzido. Em 2025, o Brasil declarou 234,4 milhões de litros de cachaça. Do total, 7,95 milhões de litros foram exportados para 76 destinos, com receita de US$ 17,07 milhões. A participação ainda pequena das vendas externas evidencia a força do mercado interno, mas o crescimento dos registros e a variedade de produtores mostram que a cachaça segue como patrimônio cultural e ativo econômico para o país.
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