Entregas de fertilizantes caem 5,4% no primeiro semestre
As entregas de fertilizantes no Brasil totalizaram 19,02 milhões de toneladas entre janeiro e junho de 2026, queda de 5,4% ante o mesmo período do ano anterior. A desaceleração ganhou força após maio, com reflexos nas negociações para a safra 2026/27.

Divulgação
As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro totalizaram 19,02 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026. O volume representa queda de 5,4% em comparação com igual período de 2025, quando foram entregues 20,11 milhões de toneladas, segundo balanço da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).
Compras perdem força a partir de maio
O início do ano ainda foi favorecido pelo bom desempenho da safrinha e pela normalidade nas compras realizadas no primeiro trimestre. A mudança ocorreu depois do início da guerra no Irã, quando o avanço dos novos negócios perdeu ritmo. A redução começou a aparecer nas entregas a partir de maio e também influenciou as negociações voltadas à safra 2026/27.
A retração mostra que o setor enfrenta um ambiente mais complexo para planejar insumos e custos. Como os fertilizantes representam parcela relevante da produção agrícola, oscilações na disponibilidade, nos preços e nas condições de pagamento podem afetar diretamente as decisões dos produtores.
Cenário externo e crédito pressionam o setor
A Anda aponta que o resultado foi influenciado por adversidades no quadro geopolítico internacional, relações de troca acima das médias históricas, escassez de crédito, juros elevados e riscos de recuperações judiciais. Esses fatores reduzem a capacidade de compra e aumentam a cautela entre distribuidores, revendas e produtores rurais.
As ameaças climáticas também permanecem no centro das preocupações. A possibilidade de impactos associados ao El Niño exige atenção adicional, especialmente em um cenário no que a rentabilidade das lavouras já pode ser pressionada pelo custo dos insumos e pelas condições de financiamento.
Atenção às negociações da próxima safra
A queda nas entregas não significa, necessariamente, desabastecimento imediato, mas indica desaceleração do mercado. O comportamento das compras nos próximos meses será importante para avaliar se a demanda conseguirá se recuperar antes do período de maior aplicação de fertilizantes nas lavouras da safra 2026/27.
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