Entenda por que o Brasil não é autossuficiente em fertilizantes
Mesmo sendo grande produtor de grãos, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes usados na agricultura, com vulnerabilidade evidenciada pela volatilidade de insumos como gás natural, rocha fosfática de baixa concentração e potássio limitado.

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Mesmo após se consolidar como um dos maiores produtores de grãos do planeta, o Brasil continua importando a maior parte dos fertilizantes que utiliza nas lavouras. Essa dependência deixa o setor vulnerável a oscilações internacionais, como o aumento recente do preço do enxofre provocado por tensões no Oriente Médio.
Dependência do gás natural nos nitrogenados
Na produção de nitrogenados, a matéria‑prima essencial é o gás natural, usado para sintetizar amônia e, posteriormente, ureia. O gás disponível no país tem custo superior ao de grandes exportadores como Estados Unidos e Catar, o que torna a ureia nacional menos competitiva. Conforme especialistas, esse encarecimento reduz a margem das indústrias e desestimula novos investimentos, levando os agricultores a preferirem o produto importado, apesar de iniciativas como a retomada de unidades da Petrobras que buscam ampliar a oferta interna.
Qualidade da rocha fosfática e o papel do enxofre
Embora o Brasil possua reservas de rocha fosfática, a maioria apresenta baixa concentração, limitando a produção de fertilizantes de alta análise como MAP e DAP a preços competitivos. O segmento consegue volumes relevantes de superfosfato simples (SSP), cuja fabricação se adapta melhor às características locais. Entretanto, o processo também consome enxofre, insumo cujo preço saltou de cerca de US$ 80 a tonelada para US$ 1,2 mil durante a crise no Oriente Médio, forçando paralisações temporárias e elevando os custos de produção.
Escassez de reservas de potássio no território nacional
O potássio depende quase exclusivamente de jazidas localizadas em poucos países, principalmente Canadá, Bielorrússia e Rússia, que possuem depósitos de alta pureza e baixo custo de extração. O Brasil não tem equivalentes de escala, embora existam projetos de exploração de jazidas nacionais ainda em fase de estudo. Enquanto essas iniciativas não se concretizam, as importações de cloreto de potássio permanecem elevadas, atingindo quase 14 milhões de toneladas em 2025 segundo dados da consultoria Argus.
Demandas do setor e possíveis soluções
Diante da volatilidade dos preços e da dependência externa, a indústria pediu ao governo federal um apoio de aproximadamente R$ 2 bilhões para manter operações e investir em ampliação de capacidade. Medidas como a retomada de unidades da Petrobras, incentivos à pesquisa de jazidas de potássio e programas de melhoria da qualidade da rocha fosfática são apontadas como caminhos para reduzir a vulnerabilidade. Especialistas ressaltam que, sem ganhos de competitividade nas matérias‑primas locais, a dependência das importações tende a persistir no médio prazo.








