Do cacau à autonomia: produtora de Linhares transforma recomeço em novos caminhos
Agricultora familiar de Linhares, no Espírito Santo, encontrou no cultivo do cacau uma nova fonte de renda, autonomia e reconhecimento profissional após enfrentar um período de depressão.

Divulgação
No Sítio Santa Rosa, na comunidade de Santa Rosa, em Linhares, no Espírito Santo, o cacau ganhou novo significado na vida da produtora rural Vanderleia Pompermazer Camata. Mãe, avó e agricultora familiar, ela transformou uma cultura antes pouco explorada pela família em fonte de renda, autoestima e independência.
Recomeço após período de depressão
Criada no interior e acostumada à rotina da roça, Vanderleia sempre trabalhou na propriedade da família. Mesmo tendo atuado fora por um período, foi no campo que encontrou maior realização. A produção era conduzida em conjunto e, durante anos, priorizou as necessidades da casa.
Esse equilíbrio mudou quando a produtora enfrentou um quadro de depressão. Ela passou cerca de três meses praticamente acamada e sem forças para reagir. Além do sofrimento emocional, sentia a falta de liberdade e de uma atividade que pudesse chamar de sua.
O convite para participar do projeto Mulheres do Cacau surgiu nesse contexto. No início, Vanderleia resistiu, pois estava mais acostumada ao cultivo do café e conhecia pouco sobre o manejo da cultura. Mesmo assim, decidiu aceitar o desafio e passou a participar das capacitações oferecidas pela iniciativa.
Da lavoura aos produtos com valor agregado
Com assistência técnica e aprendizado contínuo, a produtora implantou uma lavoura que hoje possui cerca de 2,5 mil pés de cacau. A área, com seis anos de formação, já entrega produção e se tornou parte importante da atividade agrícola no Sítio Santa Rosa.
Vanderleia também passou a buscar alternativas para agregar valor ao fruto. Além do cacau in natura, a propriedade produz mel de cacau, nibs, cocada e bombons artesanais. Uma receita criada pela própria produtora já conquistou consumidores e abriu novas possibilidades de comercialização.
A autonomia também chegou à rotina. Embora a família tivesse um carro há mais de 20 anos, Vanderleia não dirigia. Depois de tirar a carteira, passou a se deslocar com mais facilidade para cursos, reuniões e atividades do projeto, reduzindo a dependência de outras pessoas.
Reconhecimento técnico e participação coletiva
Em 2025, a produtora ficou entre os dez melhores colocados no Concurso de Qualidade de Amêndoas de Cacau Capixaba. Na edição seguinte, voltou a figurar entre os dez finalistas com duas amostras, demonstrando a evolução técnica da lavoura e o cuidado com a produção.
O projeto Mulheres do Cacau é coordenado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e promove capacitação, empreendedorismo e empoderamento feminino na cadeia produtiva. As participantes também recebem orientação para rotulagem, processamento e acesso a mercados especiais.
Em 2023, as agricultoras organizadas em associações criaram a Central das Associações das Mulheres do Cacau. Atualmente, o coletivo reúne mais de 60 associadas nos municípios de Colatina, Linhares, Rio Bananal e Santa Teresa. Para participar, é necessário trabalhar com cacau em regime de agricultura familiar.
Para Vanderleia, o cacau representa mais do que uma atividade agrícola. A cultura ajudou a ampliar oportunidades dentro da propriedade, fortaleceu sua confiança e marcou uma trajetória de superação pessoal e profissional.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








