Coamo investirá R$ 500 milhões para dobrar fábrica de óleo de soja no Paraná
Cooperativa começará a ampliar a unidade de Paranaguá ainda este ano, elevando a produção diária de 2 mil para 2,5 mil toneladas. Projeto completo depende de aprovação dos cooperados e deve levar a capacidade a 5 mil toneladas por dia.

Divulgação
Expansão será feita em duas etapas
A Coamo Agroindustrial planeja investir R$ 500 milhões na fábrica de óleo de soja de Paranaguá, no litoral do Paraná. O objetivo é dobrar a capacidade de processamento da unidade, que atualmente produz 2 mil toneladas por dia, até alcançar 5 mil toneladas diárias. Maior cooperativa agrícola do país, o grupo busca ampliar a industrialização da soja produzida por seus cooperados.
A primeira etapa já está em andamento. Cerca de R$ 200 milhões serão aplicados ainda este ano para elevar a produção diária de 2 mil para 2,5 mil toneladas. A segunda fase, estimada em R$ 300 milhões, será apresentada à assembleia anual da cooperativa, prevista para fevereiro de 2027.
O presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, avalia que a duplicação tem condições de ser aprovada. Por isso, as obras já previstas na fábrica estão sendo planejadas para reservar espaço físico e facilitar a ampliação futura da capacidade produtiva.
Obras devem avançar a partir de 2027
Os trabalhos da segunda etapa devem começar efetivamente no fim de 2027, após a conclusão da usina de biodiesel da cooperativa, também instalada no terminal privado de Paranaguá. A nova planta receberá aproximadamente R$ 400 milhões e fará parte do conjunto de investimentos do grupo no complexo agroindustrial paranaense.
Com o cronograma atual, a Coamo espera que as ampliações estejam totalmente operacionais até o fim de 2029. O movimento deve fortalecer a presença da cooperativa no porto de Paranaguá, um dos principais pontos de escoamento de grãos e derivados agrícolas do Brasil.
A ampliação da fábrica de óleo também exigirá investimentos paralelos para escoar o farelo de soja, outro produto obtido no processamento do grão. A cooperativa pretende construir duas linhas de exportação no porto e ampliar a estrutura de armazenagem. O orçamento dessas obras ainda não foi definido.
Estratégia inclui porto e novos armazéns
Além da fábrica de óleo, a Coamo mantém um amplo plano de expansão. O grupo prepara a construção de um terminal portuário em Itapoá, Santa Catarina, com investimento previsto de R$ 3 bilhões. O projeto está na fase de obtenção de licenças e, segundo o cronograma atual, as obras devem começar em 2030.
No porto de Paranaguá, a cooperativa também renovou por mais 25 anos o arrendamento de uma área da União. O contrato prevê R$ 100 milhões em investimentos no local, com desembolso esperado em até dois anos. As obras reforçam a estratégia de verticalização, permitindo que a Coamo avance da origem de grãos para etapas com maior valor agregado.
Hoje, a cooperativa industrializa cerca de 50% da soja recebida dos cooperados. A ampliação da capacidade de processamento deve aumentar essa participação e reduzir a dependência da venda direta de commodities. Ao mesmo tempo, o crescimento das operações de armazenagem e originação deve trazer mais volume de grãos para dentro do sistema cooperativo.
Cooperativa cresce com aquisição de ativos
A expansão recente também ocorreu por meio da compra de instalações de outras empresas. A Coamo adquiriu quatro unidades do fundo Pátria por R$ 136 milhões. Os ativos incluem armazéns de grãos em Sabáudia, Assaí, Bela Vista do Paraíso e Cambé, além de depósitos de insumos no Paraná.
O grupo também expandiu suas operações em Mato Grosso do Sul e incorporou 15 unidades no norte do Paraná, em regiões de Londrina e dos Campos Gerais. Galinari afirma que a cooperativa continua avaliando oportunidades, especialmente de empresas que enfrentam dificuldades financeiras, mas deve considerar a disponibilidade de mão de obra e a adequação de cada negócio à estratégia do grupo.
Após uma safra considerada positiva e diante dos sinais de recuperação nos preços das commodities, a Coamo estima crescimento de aproximadamente 10% no faturamento deste ano. A previsão é ultrapassar R$ 30 bilhões, valor recorde para a cooperativa. Para o ciclo 2026/27, a expectativa permanece favorável, com condições climáticas associadas ao El Niño vistas como benéficas para as regiões onde a empresa atua.
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