Café solúvel ganha força e setor projeta recorde em 2026
Exportações e consumo interno de café solúvel avançam em 2026, impulsionados pela demanda da União Europeia e pela retomada dos embarques aos Estados Unidos. O setor projeta resultado histórico, mas alerta que o fim de um crédito tributário em 2027 pode elevar custos e pressionar toda a cadeia produtiva.

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Exportações acumulam alta de 12,8%
As exportações brasileiras de café solúvel seguem em ritmo de crescimento em 2026. Em agosto, foram embarcadas 7,7 mil toneladas do produto, equivalentes a 333,7 mil sacas de 60 quilos, volume 24,9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, as vendas externas chegaram a 65,3 mil toneladas, ou 2,83 milhões de sacas, alta de 12,8% em relação às 57,9 mil toneladas observadas no período correspondente do ano passado.
O avanço tem sido consistente ao longo do ano. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), todos os meses de 2026, com exceção de janeiro, igualaram ou superaram os volumes de 2025. Em junho, a alta anual alcançou 38,9%, demonstrando a capacidade do setor de ampliar sua presença nos principais mercados internacionais mesmo em um cenário de custos elevados e concorrência externa.
Europa lidera demanda e Estados Unidos retomam espaço
A União Europeia continua sendo o principal destino do café solúvel brasileiro quando considerada como bloco. Os embarques para o mercado europeu somaram 13,1 mil toneladas nos oito primeiros meses do ano, crescimento de 44,2%. A entrada em vigor, em 1º de maio, do Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia pode ampliar o acesso do produto brasileiro ao bloco e fortalecer ainda mais esse fluxo comercial.
Os Estados Unidos, maior mercado importador do café solúvel produzido no Brasil, também apresentam sinais de retomada. Embora os embarques acumulem queda de 6,1% ante 2025, agosto registrou crescimento de 86,8% na comparação anual. Foi o primeiro mês completo após a retirada das sobretaxas aplicadas ao produto, resultado visto pelo setor como indicativo de recuperação da demanda americana até o fim do ano.
Consumo interno também cresce
O bom desempenho não se limita ao comércio exterior. O consumo brasileiro de café solúvel alcançou 19,7 mil toneladas entre janeiro e agosto, aumento de 11,9% sobre o mesmo período de 2025. As duas principais categorias acompanharam o ritmo de expansão: o modelo spray dried cresceu 11,7%, enquanto o freeze dried, geralmente associado a maior valor agregado, avançou 13,3%.
Investimentos das indústrias, lançamento de novos produtos e ampliação da oferta em diferentes faixas de preço ajudam a explicar o interesse dos consumidores. Com a combinação entre mercado interno aquecido, maior presença na Europa e retomada das vendas aos Estados Unidos, a Abics avalia que o Brasil pode alcançar em 2026 recordes simultâneos de exportação e consumo de café solúvel.
Reforma tributária ameaça a competitividade
Apesar do momento favorável, a Reforma Tributária representa um ponto de atenção para a indústria. Instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023, a mudança altera um mecanismo historicamente usado pelo setor: o crédito presumido de PIS/Cofins na compra de café verde. O benefício, equivalente a 7,4% do valor da matéria-prima, foi reduzido para 6,66% em 2026 e será encerrado em 1º de janeiro de 2027.
O café integra a Cesta Básica Nacional e terá alíquota zero de CBS e IBS, mas essa desoneração não substitui integralmente o crédito presumido. Para os produtores, a perda do mecanismo tende a aumentar a estrutura de custos, pressionar a industrialização e afetar diferentes etapas da cadeia. A Abics mantém negociações com o governo federal e o Congresso em busca de uma transição ou de medidas compensatórias, mas ainda não há indicação de reversão da extinção do benefício.
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