Brasil produz menos arroz e feijão, mas preços reagem de forma diferente
A safra 2025/26 registrou queda na produção de arroz e feijão, pressionada pela redução das áreas plantadas. No varejo, porém, os dois produtos apresentam cenários distintos: o arroz segue estável, enquanto o feijão acumula alta expressiva ao longo do ano.

Divulgação
Oferta menor nos dois grãos
O Brasil produziu menos arroz e feijão na safra 2025/26, em um movimento ligado principalmente à redução das áreas plantadas. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o arroz ficou em 11 milhões de toneladas, queda de 13,2% em relação ao ciclo anterior. A área destinada ao cereal recuou 14%, reaching 1,5 milhão de hectares.
No feijão, a retração foi menor. A produção total chegou a 2,9 milhões de toneladas, redução de 3,6% ante a safra 2024/25. A área plantada caiu 5,7%, totalizando 2,5 milhões de hectares. Mesmo com uma queda percentual inferior à do arroz, o feijão chegou ao consumidor com preços bem mais elevados.
Impacto no preço é desigual
Os dados do IPCA mostram que o arroz ainda não apresenta uma trajetória consistente de alta. Em agosto, o cereal teve variação positiva de 1,34%. No acumulado de 2026, a elevação foi de apenas 0,39%, e, nos últimos 12 meses, o preço recuou 8,85%.
O feijão segue em situação diferente. O tipo carioca acumula alta de 42,3% no ano e de 44,17% em 12 meses, embora tenha caído 4,82% apenas em agosto. O feijão preto subiu 25,85% no acumulado anual e 19,98% em 12 meses, com pequena queda mensal de 0,63%. Assim, a menor oferta afetou mais diretamente o bolso de quem compra feijão.
Queda veio após preços baixos na lavoura
A redução nas plantações tem uma explicação econômica. Arroz e feijão enfrentaram forte queda nas cotações pagas aos produtores, desestimulando o cultivo. Em meados de 2024, a saca de 50 kg de arroz em casca ultrapassava R$ 120. No início do plantio da última safra, o valor já havia caído pela metade. Mais recentemente, a cotação ficou próxima de R$ 50.
Movimento semelhante ocorreu com o feijão. Na metade sul do Paraná, a saca de 60 kg do feijão preto tipo 1 chegou a R$ 350 em setembro de 2024. Um ano depois, era negociada por aproximadamente R$ 117. A queda nos preços reduz a rentabilidade esperada e leva produtores a destinarem suas terras a culturas com retorno mais atraente.
Próxima safra ainda pode recuar
A Conab projeta nova queda na produção de arroz no ciclo 2026/27. A área deve crescer 0,9%, mas a produção estimada é de 10,7 milhões de toneladas, 2,9% abaixo da safra 2025/26. A previsão reflete o excesso de oferta registrado anteriormente, que pressionou os preços recebidos pelos produtores.
Para o feijão, a estimativa preliminar indica produção próxima de 2,9 milhões de toneladas, semelhante ao ciclo atual. A segunda safra é a única com redução de área prevista, de 1,9%. Ainda assim, o cenário pode mudar até o plantio, que ocorre em dezembro, dependendo da evolução dos preços e das condições climáticas.
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