Zema e Renan veem proibição de bets por Lula como manobra eleitoreira
A decisão do presidente Lula de proibir as apostas online no Brasil, às vésperas das eleições, provocou críticas de candidatos à presidência Romeu Zema e Renan Santos. Ambos, embora concordando com a necessidade do veto, questionam o timing da medida, classificando-a como uma estratégia eleitoral.

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A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as apostas online no Brasil, formalizada às vésperas do primeiro turno das eleições, gerou uma onda de críticas por parte de outros candidatos à presidência. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), embora declarando-se favoráveis ao fim das chamadas "bets", questionaram veementemente o timing da medida, classificando-a como uma manobra com motivações eleitorais.
Zema critica populismo em véspera eleitoral
Em entrevista a uma rádio mineira, Romeu Zema, que já havia expressado sua oposição às plataformas de apostas, não poupou críticas à iniciativa presidencial. O candidato do Novo rotulou as bets como "cocaína digital", destacando o vício e o endividamento que, segundo ele, têm assolado famílias brasileiras. Zema questionou por que o governo federal demorou tanto para tomar uma atitude, insinuando que a ação repentina, tão próxima ao pleito, teria um claro viés populista. "Por que ele não cancelou logo depois, quando viu que o mal já estava acontecendo? É na véspera de eleição que ele está fazendo isso", declarou o governador de Minas Gerais e candidato à Presidência, reforçando a ideia de oportunismo político.
Renan Santos fala em "manobra eleitoreira" e descrédito ao Congresso
Renan Santos, também candidato à Presidência, seguiu linha semelhante, utilizando suas redes sociais para classificar a proibição como uma "manobra eleitoreira" e expressar seu ceticismo quanto à sua permanência. Segundo ele, a medida provisória (MP) que veta as apostas dificilmente será aprovada pelo Congresso Nacional, que, em sua visão, estaria "comprado pelas bets", e acabaria por "caducar". Santos, apesar de defender o fim das apostas online por considerar que a sociedade brasileira não possui "maturidade" para lidar com elas e que estas estão "estourando" o orçamento familiar, sugeriu que o debate deveria ser postergado para após as eleições, reforçando a tese da motivação eleitoral por trás da atitude do presidente.
Entenda a proibição e seu alcance
A medida provisória 1.394 de 2026, assinada por Lula, estabelece a proibição em todo o território nacional da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa. A abrangência da MP inclui tanto as apostas esportivas quanto os populares jogos online, como cassinos virtuais e o famigerado "Jogo do Tigrinho". Com a publicação da medida, novas apostas foram imediatamente suspensas. Os apostadores têm até o dia 5 de outubro para realizar a retirada de saldos das plataformas, e as empresas devem cessar suas operações até 6 de outubro. A MP também prevê o bloqueio de sites e contas financeiras vinculadas a operações consideradas ilegais, bem como a proibição de publicidade das casas de apostas.
Histórico das bets no Brasil: da autorização à proibição
A jornada das apostas online no Brasil é complexa e perpassa três diferentes governos. Em 2018, na gestão de Michel Temer (MDB), a lei 13.756 autorizou a modalidade e previu sua regulamentação pelo Ministério da Fazenda em até dois anos. O prazo, prorrogável por mais dois, transcorreu integralmente durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), mas a regulamentação não foi finalizada, permitindo que as empresas operassem sem controle federal. Em 2023, já no governo Lula, uma medida provisória buscou regulamentar o mercado, resultando na lei 14.790 de 2023, que estabeleceu normas para autorização, tributação e fiscalização. Desde 2025, apenas empresas autorizadas podiam atuar. Contudo, o governo avaliou que, mesmo com a regulamentação e a proibição de sites irregulares, o endividamento das famílias persistia, levando à decisão atual de proibir completamente a atividade. A própria campanha de Lula celebrou a medida, associando a proliferação descontrolada das bets à gestão anterior e justificando a proibição como uma proteção às famílias brasileiras.
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