Vorcaro tinha nomes de agentes da PF que participaram de reunião com o BC
Relatório da Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, anotou no celular os nomes de agentes que participaram de reunião com o Banco Central sobre uma investigação envolvendo a instituição. Documentos também citam bilhetes nos quais o banqueiro menciona contatos dentro do BC.

Divulgação
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, registrou no celular os nomes de agentes da Polícia Federal que participaram de uma reunião com representantes do Banco Central sobre uma investigação envolvendo a instituição. De acordo com o relatório da PF, a anotação foi feita quatro dias depois do encontro, realizado em 17 de outubro de 2025.
Anotação foi registrada após reunião institucional
Entre os nomes apontados no aparelho estavam Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF; Guilherme Alves de Siqueira, chefe da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros; e o agente Wilker Goulart. O material também menciona dois delegados identificados apenas como Janaína e Britto.
As informações passaram a integrar documentos tornados públicos em 10 de setembro de 2026, após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo de 15 processos relacionados ao Banco Master. Os registros agora compõem o conjunto de elementos analisados nas investigações sobre o caso.
PF identifica possíveis autoridades em outros bilhetes
O relatório cita anotações feitas por Vorcaro nos dias seguintes. Em um registro de 30 de outubro, o banqueiro afirmou ter recebido informações de pessoas do Banco Central sobre a situação do Master. A Polícia Federal interpretou as referências a “G”, “Andrei” e “Paulo” como possíveis menções a Gabriel Galípolo, presidente do BC; Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF; e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
Conforme o documento, Vorcaro queria que essas informações chegassem aos dois últimos, em uma tentativa de evitar medidas de integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal contra ele. A PF avalia o conteúdo como parte de uma cadeia de contatos e transmissão de informações que precisa ser apurada dentro do processo.
Banqueiro afirma ter contatos dentro do Banco Central
Em outra anotação, feita poucos minutos depois, Vorcaro escreveu que tinha pessoas de confiança no Banco Central que estavam preocupadas com o caso. Ele classificou as informações recebidas como confiáveis e afirmou que não poderia identificar quem as havia repassado.
O relatório não trata as anotações, isoladamente, como prova definitiva de irregularidades. Elas são apresentadas como indícios que podem ajudar a reconstruir conversas, encontros e possíveis fluxos de informação entre envolvidos na investigação do Banco Master, autoridades do Banco Central e integrantes da Polícia Federal.
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