Violência política de gênero é agressão à democracia, diz Kassio Nunes Marques
Durante evento no TSE, o ministro defendeu ações mais efetivas para proteger candidatas e eleitas e cobrou dos partidos condições reais de participação feminina. Encontro também apresentou protocolo conjunto e tecnologia contra deepfakes eleitorais.

Divulgação
O ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou nesta terça-feira (22 de setembro de 2026) que a violência política de gênero representa um ataque direto à democracia. A declaração foi feita durante o evento “Violência Política TEM Gênero”, realizado na sede do TSE, em Brasília.
Impacto contra toda a sociedade
Para Nunes Marques, quando uma mulher é ameaçada, humilhada, discriminada ou impedida de exercer seus direitos políticos por causa de seu gênero, o prejuízo ultrapassa o caso individual. “Não é apenas a sua voz que se tenta silenciar: é a voz de mais da metade das pessoas que constituem a nação brasileira”, afirmou.
A avaliação reforça que a participação feminina na política não pode ser medida apenas pela existência formal de candidaturas. Candidatas, eleitas, servidoras e filiadas precisam atuar sem intimidação, especialmente em um ambiente no qual ataques pessoais, perseguições e conteúdos falsos podem ser usados para afastar mulheres da vida pública.
Protocolo e tecnologia contra ataques
O encontro foi organizado pela Comissão TSE Mulheres, em parceria com a Ouvidoria do Tribunal e a Procuradoria-Geral Eleitoral. A programação reuniu autoridades, especialistas, candidatas e representantes da sociedade civil interessados em prevenir, acompanhar e combater episódios de violência política contra mulheres.
Entre as medidas apresentadas está a assinatura de um Protocolo de Ação Conjunta entre TSE e PGE para integrar esforços contra esse tipo de violência. Também foi apresentada a tecnologia Likeness ID, desenvolvida em parceria entre o TSE e o Google para identificar deepfakes e mídias sintéticas no YouTube que utilizem indevidamente a imagem de candidatos.
Partidos são cobrados por mudanças reais
Em seu discurso, Nunes Marques destacou que estimular a participação feminina não é suficiente se os partidos não criarem condições efetivas para que mulheres possam disputar eleições, exercer mandatos e permanecer na política. A cobrança ocorre às vésperas das eleições de 2026, quando o TSE deve ampliar a gestão de dados oficiais e a capacitação de seus agentes sobre o tema.
O ministro também convocou os homens a apoiar a abertura de espaços historicamente fechados às mulheres. Ao afirmar que a Justiça Eleitoral estará ao lado das candidatas e eleitas, Nunes Marques ressaltou que o enfrentamento da violência política de gênero é uma condição necessária para tornar a disputa eleitoral mais plural, segura e democrática.
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