Intenção de investir da indústria fica no menor nível em 6 anos
Indicador da CNI caiu pelo quarto mês seguido e reached 51,3 pontos em setembro, menor patamar desde agosto de 2020. Produção, exportações, emprego e uso da capacidade instalada também apresentaram retração.

Divulgação
A intenção de investir da indústria caiu 1,3 ponto em setembro e atingiu 51,3 pontos, o menor nível desde agosto de 2020, durante a pandemia de covid-19. O resultado marca o quarto recuo consecutivo do indicador, que acumula queda de 3,5 pontos desde maio.
Apesar de permanecer acima de 50 pontos, nível que indica expectativa de expansão, o resultado mostra que o ritmo previsto para novos investimentos perdeu força. A Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria ouviu 1.403 empresas entre os dias 1º e 11 de setembro.
Atividade mais fraca aumenta cautela
Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o desempenho reflete a perda de ritmo da atividade industrial e o crescimento das incertezas sobre o cenário econômico. Com menos clareza sobre demanda, custos e condições de financiamento, parte das empresas tende a postergar decisões de investimento.
A proximidade das eleições também contribui para aumentar a imprevisibilidade, segundo a avaliação da entidade. O ambiente leva companhias a adotar maior cautela ao investir, produzir e contratar, aguardando sinais mais consistentes sobre os próximos meses.
Expectativas recuam em todas as áreas
Os quatro indicadores de expectativa acompanhados pela pesquisa registraram queda em setembro. A projeção para a demanda por produtos industriais recuou 1,4 ponto, para 51,2 pontos. A expectativa de compra de insumos e matérias-primas caiu 0,8 ponto, para 50,4 pontos.
As perspectivas para o volume exportado diminuíram 0,6 ponto, reaching 48,9 pontos. Já a expectativa para o número de empregados caiu 0,2 ponto, para 49,2 pontos. Como ambos ficaram abaixo da linha dos 50 pontos, sinalizam retração nessas áreas.
Produção registra pior agosto desde 2015
O índice de evolução da produção industrial caiu 4,7 pontos em agosto, passando para 46,3 pontos. Foi o pior resultado para o mês desde 2015, ano marcado por recessão e forte contração da atividade econômica no país.
O indicador abaixo de 50 pontos aponta queda da produção em relação a julho. Nos últimos 11 anos, o índice ficou nesse patamar negativo em agosto apenas em 2025 e 2026, evidenciando a força da desaceleração registrada neste ano.
Capacidade instalada e emprego perdem força
A utilização da capacidade instalada recuou 1 ponto percentual, chegando a 69%. O resultado ficou dois pontos percentuais abaixo da média histórica registrada para agosto, indicando que uma parcela maior da estrutura produtiva permaneceu ociosa.
O índice de evolução do número de empregados caiu 0,4 ponto, para 48,2 pontos, apontando redução nas admissões ou no quadro de pessoal. O índice de evolução dos estoques também diminuiu, de 51 para 49,5 pontos, embora o estoque efetivo tenha permanecido próximo do nível planejado pelas empresas.
O conjunto de dados revela uma indústria que ainda mantém expectativas positivas para demanda e compras, mas em ritmo mais moderado. Ao mesmo tempo, a piora da produção, das exportações e do emprego reforça o quadro de cautela entre os empresários.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








