Tc-df bloqueia até R$ 2,7 bilhões em bens de ex-dirigentes do Brb
O Tribunal de Contas do Distrito Federal determinou o bloqueio cautelar de bens de cinco ex-dirigentes do BRB durante apuração sobre operações envolvendo o Banco Master. A corte também converteu o processo em Tomada de Contas Especial e pediu documentos adicionais ao banco.

Divulgação
Bloqueio busca preservar eventual ressarcimento
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TC-DF) determinou o bloqueio cautelar de até R$ 2,7 bilhões em bens de cinco ex-dirigentes do Banco de Brasília (BRB). A medida atinge o ex-presidente Paulo Henrique Costa, Dario Oswaldo Garcia Júnior, Robério Cesar Bonfim Mangueira, Wily da Silva Leão e Marcelo Talarico, todos ligados a cargos de chefia ou à área financeira da instituição.
A decisão foi tomada durante sessão reservada nesta quarta-feira (23 de setembro de 2026), no contexto das investigações sobre negociações entre o BRB e o Banco Master. Segundo o tribunal, o bloqueio tem caráter preventivo e busca garantir um possível ressarcimento aos cofres públicos caso as apurações confirmem indícios de prejuízo ou irregularidades nas operações analisadas.
Os dirigentes bloqueados terão 30 dias para apresentar defesa e se manifestar sobre a medida. O bloqueio cautelar valerá inicialmente por um ano, prazo durante o qual os relatores poderão avaliar novas evidências e decidir sobre a manutenção, alteração ou ampliação da restrição.
Processo será analisado por tomada de contas especial
O TC-DF também determinou a conversão do processo em Tomada de Contas Especial (TCE), instrumento utilizado para apurar responsabilidades e possíveis danos ao patrimônio público. A corte pediu prioridade na instrução do caso, incluindo a análise da eventual participação de outros agentes nas operações investigadas.
Entre as providências determinadas está o envio, em até 24 horas, de relatório produzido por auditoria independente realizada no BRB. A atual administração do banco também deverá apresentar, no prazo de 15 dias, esclarecimentos e documentos relacionados à representação encaminhada pelo Ministério Público de Contas do Distrito Federal.
O diretor-presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, foi convocado para uma audiência e terá 30 dias para justificar o suposto descumprimento de uma determinação anterior do tribunal sobre o envio de informações. A corte poderá usar os novos elementos para avaliar a responsabilidade de envolvidos e a necessidade de ampliar o bloqueio.
BRB avalia decisão como positiva
Em nota, o BRB classificou a decisão como positiva e afirmou que a atual gestão atua de forma diligente na defesa dos interesses da instituição e na recuperação de bens e direitos que considera devidos ao banco. A administração também disse que a medida reforça os trabalhos de proteção do patrimônio público do Distrito Federal.
O banco informou que continuará adotando as providências cabíveis, em conformidade com a legislação e as determinações das autoridades competentes. Segundo o BRB, a condução do caso seguirá pautada pela transparência, responsabilidade e compromisso com a solidez e a perenidade da instituição.
A reportagem solicitou manifestação de Paulo Henrique Costa sobre o bloqueio, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria. Também não foram localizados contatos válidos para ouvir Dario Oswaldo, Robério Cesar, Wily da Silva e Marcelo Talarico. Os envolvidos poderão se manifestar durante o prazo de defesa aberto pelo TC-DF.
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