Lula diz que Flávio Bolsonaro “não sabe o que é o cheiro do trabalho”
Durante ato no Rio de Janeiro, Lula criticou Flávio e Jair Bolsonaro, questionou a trajetória política da família e reforçou sua própria candidatura. Presidente cometeu imprecisão ao atribuir a Flávio cargos exercidos por Carlos e Eduardo Bolsonaro.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou um ato com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (23 de setembro de 2026), para intensificar as críticas à família Bolsonaro e ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. Em discurso voltado à disputa eleitoral, Lula contrapôs sua trajetória sindical e política à dos adversários e afirmou que Flávio “não sabe o que é o cheiro do trabalho”.
Críticas ao governo de Jair Bolsonaro
Ao defender sua quarta candidatura, Lula associou uma eventual vitória da família Bolsonaro a um retorno aos períodos que classificou como os mais negativos da história recente do país. “A minha 4ª candidatura é para a gente poder não permitir que jamais esse país volte ao passado tenebroso de 23 anos de regime militar ou os 4 anos mentirosos da família Bolsonaro nesse país”, declarou.
Lula também voltou a atacar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Disse que ele “nunca trabalhou na vida”, mencionou a passagem pelas Forças Armadas e repetiu acusações já usadas pelo petista sobre os planos atribuídos ao antigo aliado de interferir no resultado das eleições de 2022. A fala integrou uma estratégia para apresentar a eleição como uma disputa entre modelos políticos opostos.
Imprecisão sobre a trajetória de Flávio
Ao comentar a biografia de Flávio Bolsonaro, Lula afirmou: “O filho dele, que é candidato a presidente, foi vereador com 21 anos. Foi vereador, deputado estadual, deputado federal e senador da República”. A descrição, porém, mistura cargos exercidos por membros diferentes da família.
Flávio Bolsonaro foi deputado estadual e senador, mas não ocupou as funções de vereador nem de deputado federal. Carlos Bolsonaro foi vereador no Rio de Janeiro, enquanto Eduardo Bolsonaro foi deputado federal. A imprecisão não impediu Lula de sustentar sua crítica central: para o petista, Flávio construiu toda a vida adulta dentro da política e não teria experiência profissional fora do mandato eletivo.
Divisões familiares entram na campanha
O presidente também recordou a disputa eleitoral entre Carlos Bolsonaro e a mãe, Rogéria Bolsonaro, nas eleições para a Câmara Municipal do Rio. Lula questionou a coerência de Jair Bolsonaro ao apoiar a competição entre parentes e criticou o uso de argumentos religiosos na política. Para o petista, episódios desse tipo revelariam contradições no discurso moral da família Bolsonaro.
Essa abordagem busca transformar a história familiar dos adversários em elemento de campanha. Ao mesmo tempo, Lula tentou reforçar sua própria imagem como uma liderança popular e experiente. “Eu possivelmente não seja o melhor candidato, mas sou o único que vocês têm”, afirmou diante dos participantes do evento.
Artistas e aliados participam do ato
O encontro reuniu nomes da música, do cinema e da televisão, como Chico Buarque, Zeca Pagodinho, Daniela Mercury, Lenine, Marieta Severo, Caio Blat, Juliana Alves, Antonio Pitanga e Tati Quebra Barraco. Também estiveram presentes a primeira-dama Janja Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a deputada Benedita da Silva e o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD).
Lula comentou ainda um vídeo do humorista Fábio Porchat sobre relações envolvendo o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e políticos. Sem apresentar provas em seu discurso, fez críticas duras ao pastor André Valadão e a Daniel Vorcaro. Caetano Veloso e Maria Bethânia não compareceram, embora os dois tenham manifestado apoio a Lula em apresentações recentes.
Disputa coloca biografia e memória no centro
O discurso mostra que Lula pretende conduzir a campanha a partir de três eixos: a valorização de sua origem trabalhista, a comparação com o governo de Jair Bolsonaro e o alerta contra um possível retorno do bolsonarismo ao poder. Ao atacar Flávio por sua longa trajetória parlamentar, o petista busca desconstruir a imagem de renovação apresentada pelo adversário e reposicionar a eleição como uma escolha entre projetos distintos para o Brasil.
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