Rússia defende inclusão do Brasil no Conselho de Segurança da ONU
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o chanceler russo Serguei Lavrov propôs a expansão do órgão com a entrada de Brasil e Índia como membros permanentes, criticando a hegemonia ocidental e defendendo uma ordem mundial multipolar.

Divulgação
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, apresentou uma defesa contundente para a inclusão do Brasil e da Índia como membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A declaração foi feita durante seu pronunciamento no debate geral da 81ª Assembleia Geral, realizada em Nova York. Representando a Rússia na ausência do presidente Vladimir Putin, Lavrov destacou a necessidade de uma maior representatividade de países da Ásia, África e América Latina no órgão, ao mesmo tempo em que rejeitou a ampliação do número de assentos permanentes para outras nações, como Alemanha e Japão.
Reconfiguração da ordem mundial
Lavrov argumentou que o cenário internacional passa por "mudanças tectônicas", com a emergência de uma ordem mundial "multipolar e mais justa". Segundo ele, países do Sul e do Leste Global estão consolidando-se como "centros soberanos de desenvolvimento", ganhando autonomia política e econômica e assumindo maiores responsabilidades regionais, enquanto resistem à pressão externa. O chanceler russo citou o bloco dos Brics, do qual Brasil e Rússia fazem parte, como um dos fóruns que refletem essa reorganização, ao lado da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e da Organização de Cooperação de Xangai, como estruturas de cooperação da chamada "maioria global".
Críticas ao Ocidente e defesa de multipolaridade
O discurso do chanceler russo também foi marcado por críticas aos Estados Unidos e a países europeus. Lavrov condenou o que chamou de "ditadura de um hegemônio" e acusou o Ocidente de tentar manter seus privilégios e impor regras a outros países, recorrendo ao uso da força e a ações "imprevisíveis". Ele mencionou exemplos como as ações americanas na Venezuela e contra o Irã, além de criticar a União Europeia por pressionar a Sérvia em relação ao Kosovo e por tentar frustrar negociações para o fim da guerra na Ucrânia. Lavrov reiterou a posição russa de atuar com aliados e parceiros nesses fóruns para promover uma agenda internacional comum.
O papel do Brasil no Conselho de Segurança
O Brasil busca há anos uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, que atualmente conta com 15 membros, sendo 5 permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) e 10 eleitos para mandatos de dois anos. O país, que integrou o colegiado como membro não permanente em 2022 e 2023, defende a ampliação tanto das categorias permanentes quanto das não permanentes. A inclusão do Brasil como membro permanente, defendida pela Rússia, reforça a posição do país em busca de maior protagonismo nas decisões globais de paz e segurança.
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