Jornalistas questionam retratação da GloboNews sobre tema religioso e político
Emissora pede desculpas após comentarista citar suposto projeto para retirar título de padroeira do Brasil. Profissionais defendem apuração e levantam suspeitas sobre motivações.

Divulgação
A decisão da GloboNews de se retratar sobre uma declaração da comentarista Maria Cristina Fernandes, que mencionou um suposto movimento para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, gerou críticas de diversos jornalistas. A emissora pediu desculpas na madrugada de sexta-feira (25), esclarecendo que a proposta citada por Fernandes havia sido apresentada em 2007 e arquivada em 2008, sem relação direta com o atual cenário político.
Apuração questionada e reações
Durante o programa Em Pauta, Maria Cristina Fernandes afirmou que havia um movimento na Igreja Católica em reação a uma parcela de evangélicos que estaria mobilizando um projeto de lei para tal fim, e que isso poderia influenciar católicos a votar em Lula. A fala repercutiu nas redes sociais, sendo associada ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, embora não haja projeto de autoria dele sobre o tema.
Profissionais como Guga Noblat e Paulo Motoryn defenderam a apuração de Fernandes. Noblat sugeriu que a emissora cedeu a pressões, enquanto Motoryn argumentou que uma retratação só se justifica em caso de erro, questionando a validade da correção. Ambos apontaram que a apuração se baseava na percepção de setores católicos sobre um possível compromisso de Flávio Bolsonaro com a ideia, ainda que sem evidências públicas de um projeto atual ou compromisso formal.
Posicionamentos e repercussões institucionais
O episódio ganhou contornos institucionais quando um coordenador da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência republicou uma mensagem orientando a não divulgar a retratação da GloboNews. Embora tenha apagado a postagem posteriormente e alegado ter sido um engano, a Secom declarou que manifestações em perfis pessoais não representam a posição da secretaria e considerou inadequado o uso de contas de integrantes para gerar confusão com manifestações institucionais. Paralelamente, o bispo diocesano de Piracicaba, dom Devair Araújo da Fonseca, criticou a circulação de notícias falsas relacionadas à devoção religiosa, em um momento que coincidiu com a repercussão do caso, reforçando que a Igreja não tem partido e que sua causa são Jesus Cristo e o Reino de Deus.
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