Renan Santos aponta "intuição poderosa" de Carlos Bolsonaro, mas critica "problemas mentais"
Candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, analisou a influência de Carlos Bolsonaro na ascensão do bolsonarismo e na eleição de 2018, destacando sua percepção intuitiva nas redes sociais, apesar de tecer críticas à sua saúde mental.

Divulgação
O cenário político brasileiro tem sido palco de análises aprofundadas sobre as estratégias que moldam o eleitorado e as campanhas. Nesse contexto, Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão, trouxe à tona uma perspectiva peculiar sobre Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e figura chave na comunicação digital do bolsonarismo. Santos descreveu o que chamou de "graves problemas mentais" em Carlos, mas contrapôs essa visão com uma "intuição muito poderosa", característica que, segundo ele, somente os "loucos" possuem.
A intuição que impulsionou a eleição de 2018
A declaração de Renan Santos, feita durante entrevista ao podcast "Iron Talks", remonta à estratégia que levou Jair Bolsonaro à presidência em 2018. O candidato do Missão atribui a Carlos Bolsonaro um papel crucial na migração da campanha para as redes sociais. Segundo Santos, a capacidade intuitiva de Carlos teria permitido ao então candidato Jair Bolsonaro captar e dialogar com um sentimento latente de exclusão política que afligia uma parcela significativa da população, especialmente nas regiões Sul e Centro-Oeste do país. Essa conexão, estabelecida por meio de uma comunicação mais direta e emocional, foi fundamental para o sucesso eleitoral.
Redes sociais e a nova dinâmica política
Renan Santos aproveitou a ocasião para discorrer sobre a evolução da direita brasileira, que, em sua avaliação, se fortaleceu consideravelmente no ambiente das redes sociais. Ele pontua que a política moderna passou a depender menos de discursos elaborados e explicações detalhadas, priorizando, em contrapartida, a criação de uma forte identificação e conexão com o eleitor. A capacidade de mobilizar apoiadores, segundo o candidato, passou a ser um fator determinante, e Jair Bolsonaro teria personificado essa "autenticidade" que ressoou com seus seguidores.
Autocrítica e o papel do MBL
Em um exercício de autocrítica, Renan Santos também abordou o papel do Movimento Brasil Livre (MBL) nesse processo de transformação da comunicação política. Ele reconheceu que, a partir de 2014, o movimento contribuiu para a popularização de uma linguagem baseada em cortes rápidos e conteúdos virais nas redes sociais, como ferramenta de enfrentamento ao PT e de defesa do impeachment de Dilma Rousseff. Contudo, o candidato admitiu que o MBL posteriormente percebeu ter ajudado a consolidar uma dinâmica política que se apoiava fortemente na indignação, na busca por popularidade e na identificação imediata nas plataformas digitais.
Diante das declarações de Renan Santos, a assessoria de Carlos Bolsonaro foi procurada, mas optou por não se manifestar sobre o assunto.
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