Reajuste do Bolsa Família custará R$ 22,7 bilhões em 2027
O aumento de 15,04% no Bolsa Família elevará o benefício médio para R$ 777 e o piso para R$ 691. A medida terá custo de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027, enquanto a Fiemg cobra transparência sobre a sustentabilidade fiscal.

Divulgação
O reajuste de 15,04% do Bolsa Família terá custo estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026, considerando os pagamentos a partir da folha de outubro, e de R$ 22,7 bilhões em 2027. O cálculo foi apresentado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e indica o impacto da medida sobre as contas públicas no próximo ano.
Benefício médio chegará a R$ 777
Com o ajuste, o valor médio do benefício subirá de R$ 675 para R$ 777, um aumento nominal de aproximadamente R$ 100. O novo valor será aplicado a partir da folha de outubro, com pagamentos iniciados no dia 19. O piso mensal do programa também será alterado, passando de R$ 600 para R$ 691.
O percentual de 15,04% corresponde à reposição do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado desde o início do programa, em 2023, até agosto de 2026. A atualização busca preservar o poder de compra das famílias beneficiadas diante da alta dos preços registrada no período.
Anúncio ocorre perto do primeiro turno
A decisão foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quinta-feira (17 de setembro de 2026), a 17 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O calendário eleitoral aumenta a atenção sobre o momento escolhido para a ampliação do gasto e sobre os efeitos da medida no debate político.
Fiemg pede responsabilidade fiscal
A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) afirmou estar preocupada com o reajuste às vésperas das eleições. A entidade reconhece a importância das políticas de transferência de renda para proteger famílias em situação de vulnerabilidade, mas defende que a expansão de despesas permanentes seja acompanhada de clareza sobre fontes de financiamento, impactos fiscais e sustentabilidade.
João Gabriel Pio, economista-chefe da Fiemg, avaliou que política social e responsabilidade fiscal precisam caminhar juntas. Segundo ele, a ampliação de gastos sem uma trajetória clara de sustentação pode pressionar o endividamento, elevar juros e encarecer o crédito, reduzindo a capacidade de investimento da economia. Para a entidade, decisões que envolvem recursos públicos devem seguir os mesmos critérios de planejamento e transparência exigidos em qualquer período.
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