Poder Judiciário atual não nos representa, diz presidente nacional do Pt
Edinho Silva defendeu a reforma do Judiciário em Belo Horizonte e voltou a relacionar o cenário eleitoral acirrado à crise institucional envolvendo o STF. O PT apresentou propostas como mandato para ministros, fim de privilégios e mudanças nos conselhos de controle.

Divulgação
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, que o atual Poder Judiciário não representa o pensamento do partido. A declaração foi feita a jornalistas durante uma plenária com a militância em Belo Horizonte, em Minas Gerais.
Defesa de reforma no Judiciário
Edinho voltou a defender mudanças profundas no sistema de Justiça e associou o tema à necessidade de reformar também a política. Para ele, a atividade pública não pode ser usada como meio de enriquecimento pessoal, mas como instrumento de prestação de serviço à sociedade.
Ao comentar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, o dirigente petista classificou o episódio como uma crise institucional. Segundo ele, o conflito no tribunal afeta a percepção pública sobre outras instituições democráticas e ajuda a explicar o momento difícil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais.
O petista reconheceu que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro está acirrada. Ainda assim, disse confiar no eleitorado mineiro e repetiu a avaliação de que o desempenho em Minas Gerais pode ter peso decisivo no resultado nacional.
Proposta de mandato para ministros
A defesa de mudanças ganhou força no PT após o deputado Reginaldo Lopes protocolar, em 11 de setembro, uma proposta de emenda à Constituição que prevê mandatos de dez anos para ministros do STF. O texto também estabelece paridade de gênero na composição da corte.
Antes disso, em 10 de setembro, o partido havia publicado uma resolução criticando o Supremo. O documento afirma que a corte travou uma guerra aos olhos da sociedade e apresenta um conjunto de cobranças ao sistema de Justiça.
Controle social e fim de privilégios
Entre as medidas defendidas pelo PT estão a criação de cadeiras da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça e no Conselho Nacional do Ministério Público. A proposta busca ampliar o chamado controle social sobre as instituições responsáveis pela administração e fiscalização do sistema de Justiça.
O partido também propõe o fim de supersalários, penduricalhos e privilégios, além da adoção de quarentenas mais rigorosas para agentes do sistema. A resolução defende códigos de ética e tipos penais mais duros para crimes de corrupção, peculato e tráfico de influência cometidos por integrantes da Justiça.
O documento ainda sugere critérios raciais e de gênero para nomeações em tribunais, o fortalecimento da Justiça do Trabalho e a universalização da Defensoria Pública em todo o país. O objetivo apresentado é ampliar o acesso à Justiça e garantir maior segurança aos direitos da população.
Ataques a Flávio Bolsonaro
Edinho também dirigiu críticas ao senador Flávio Bolsonaro. Ele acusou o adversário de condecorar e visitar milicianos presos, além de defender um modelo de segurança pública associado às milícias. Segundo o dirigente petista, esses grupos controlam territórios e oprimem comunidades no Rio de Janeiro.
As declarações mostram que a reforma do Judiciário se tornou um eixo central no discurso do PT para este momento eleitoral. O partido tenta transformar a crise institucional envolvendo o STF em pauta de campanha, ao mesmo tempo em que busca mobilizar sua base diante de um cenário de disputa polarizada.
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