Planalto e Supremo negociam preservar Moraes até depois da eleição
O Palácio do Planalto, aliados de Lula e uma facção do STF negociam um acordo para adiar a investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, envolvendo supostas ligações com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O objetivo é evitar que o processo afete o equilíbrio da Corte antes das eleições de 2026. Dependendo do resultado eleitoral, o grupo que protege Moraes pode ganhar ou perder força no tribunal.

Divulgação
O Palácio do Planalto, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma facção do Supremo Tribunal Federal estão articulando um acordo para impedir que o ministro Alexandre de Moraes seja alvo de investigações sobre suas supostas ligações com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, antes das eleições de 2026. O objetivo é manter a atual correlação de forças dentro da Corte, evitando que eventuais processos alterem o equilíbrio entre os ministros.
Acordo para adiar análise
O presidente do STF, Edson Fachin, já teria cumprido a primeira parte do entendimento ao adiar a apreciação das denúncias contra Moraes até o dia 22 de setembro. Segundo fontes internas, a decisão foi tomada após reuniões reservadas envolvendo Fachin, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e o próprio Moraes. O grupo alega que abrir o processo agora poderia fragilizar o ministro e, consequentemente, mudar a dinâmica de votações em temas sensíveis para o governo.
Investigações e mensagens
As suspeitas giram em torno de 52 mensagens enviadas por Vorcaro para o celular de Moraes, encontradas no bloco de notas do aparelho do banqueiro. Embora as respostas do ministro não tenham sido localizadas, a existência das comunicações já levanta questões sobre possível favorecimento indevido. Em março de 2026, Moraes negou ter recebido qualquer mensagem, mas a Polícia Federal afirma que o conteúdo das mensagens indica conversas sobre negócios e possíveis pedidos de vantagem.
Cenários eleitorais
Se a atual articulação prevalecer e Lula vencer a eleição, o presidente poderia indicar até quatro novos ministros ao STF em seu quarto mandato, fortalecendo ainda mais o bloco que atualmente protege Moraes. Do lado oposto, uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro tornaria politicamente inviável adiar as investigações, aumentando a pressão para que o Supremo autorize a apuração imediatamente. Os próximos passos dependem da posição de Fachin e da forma como o plenário decidirá sobre o prazo final, atualmente marcado para depois de 22 de setembro, poucos dias antes do primeiro turno.
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