AfD vence eleição estadual na Alemanha com votação recorde
A Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 44% dos votos na eleição de Saxônia-Anhalt, superando a CDU e marcando o melhor desempenho histórico da legenda de direita no leste do país.

Divulgação
No domingo (6 de setembro de 2026), a Alternativa para a Alemanha (AfD) conseguiu uma votação recorde na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas pelas emissoras públicas DW e ARD. O partido de direita obteve 44% dos votos, número que representa o melhor desempenho já registrado pela legenda naquele estado do leste alemão. O resultado consolidou o avanço da direita no país e impôs um revés significativo à União Democrata‑Cristã (CDU), partido do chanceler federal Friedrich Merz.
CDU sofre forte retração
A CDU registrou apenas 17,8% dos votos, retração de 19,3 pontos percentuais em relação ao pleito de 2021, quando havia alcançado 37,1%. Enquanto isso, a AfD mais que dobrou o percentual de 20,8% obtido na eleição anterior, passando de pouco mais de um quinto para quase metade do eleitorado. A diferença de mais de 26 pontos entre as duas legendas evidencia a mudança de humor dos votantes da Saxônia-Anhalt, que enviaram um sinal claro de insatisfação com a direção nacional.
Líder da AfD comenta vitória histórica
Ulrich Siegmund, candidato da AfD ao governo estadual, declarou que o resultado fez história e que os eleitores enviaram um recado claro contra a condução política do país. Em entrevista à ARD, ele ironizou a impopularidade do chanceler Friedrich Merz, afirmando que ele funcionou como um “excelente cabo eleitoral” para a oposição de direita. Siegmund ganhou notoriedade durante a pandemia de covid‑19 por meio de redes sociais, onde defendia pautas anti‑imigração, e propõe alterações no currículo escolar e a criação de patrulhas cidadãs como parte de sua plataforma para educação e segurança.
Incerteza sobre maioria absoluta
Apesar do melhor desempenho histórico, a AfD ficou ligeiramente abaixo da meta de 45% traçada por Siegmund e pode não alcançar a maioria absoluta no Parlamento estadual, necessário para governar sem coalizão no sistema parlamentarista alemão. O chefe do Executivo é eleito indiretamente pelo Legislativo, e Siegmund já declarou que só aceitaria o cargo com maioria absoluta, recusando‑se a formar alianças. Outros partidos – A Esquerda, SPD, Os Verdes e a BSW – garantiram entrada no parlamento, enquanto o FDP não superou a cláusula de barreira de 5%. A participação eleitoral chegou a 76,5%, recorde no estado, e o voto não é obrigatório. Caso a AfD não alcance a maioria, poderá ser necessária uma ampla coligação entre CDU, SPD, Verdes e A Esquerda para isolar a direita ou resultar em um governo de minoria liderado pelo governador Sven Schulze, que busca a reeleição.
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