PF quer apurar atuação de Flávio, Eduardo e Mario Frias no financiamento de Dark Horse
Polícia Federal pediu investigação separada sobre possível estrutura financeira internacional usada no financiamento do filme Dark Horse. Representação cita Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Mario Frias e mira origem dos recursos e beneficiários das remessas ao exterior.

Divulgação
A Polícia Federal pediu a abertura de uma investigação separada para apurar a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do deputado federal Mario Frias (PL-SP) no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido consta do inquérito 5070, cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
PF mira estrutura financeira internacional
A representação aponta possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados aos aportes destinados à produção cinematográfica. Segundo a Polícia Federal, dados obtidos no celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e informações do Coaf indicam a existência de uma estrutura financeira internacional utilizada nas operações.
A corporação quer identificar a origem dos recursos, a função das empresas intermediárias e os beneficiários finais das remessas enviadas ao exterior. A PF também pretende esclarecer por que a Entre Investimentos foi utilizada nas transações e qual foi o papel do fundo norte-americano Havengate Development Fund LP.
Contrato previa aporte de US$ 24 milhões
De acordo com a representação, o contrato previa investimento de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época. A Polícia Federal identificou US$ 12,3 milhões enviados pela Entre Investimentos ao Havengate Development Fund LP, fundo que, conforme os investigadores, está ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Os valores coincidiriam com parcelas previstas no financiamento do filme.
Contatos atribuídos a Flávio Bolsonaro
A PF afirma que Flávio Bolsonaro manteve contato direto com Daniel Vorcaro para tratar dos pagamentos. Em 8 de setembro de 2025, o senador teria enviado um áudio cobrando os aportes e demonstrando preocupação com compromissos da produção envolvendo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Em 22 de outubro, voltou a pressionar o empresário e informou que o projeto estava “no limite”.
Em 16 de novembro de 2025, às vésperas da primeira prisão de Vorcaro, Flávio tentou falar com ele por telefone e enviou a mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. A PF considera que a sequência de contatos exige aprofundamento para esclarecer a relação entre as tratativas políticas e os repasses financeiros.
Eduardo Bolsonaro e Mario Frias são citados
Eduardo Bolsonaro aparece em tratativas sobre a estrutura utilizada nos Estados Unidos. Segundo a PF, em março de 2025, Thiago Miranda, aliado de Vorcaro, informou que “Flavio B e Eduardo” pretendiam marcar uma reunião sobre Dark Horse. Posteriormente, foi encaminhada uma captura de tela de conversa atribuída ao ex-deputado com orientações sobre a gestão dos recursos no país.
Mario Frias é mencionado em uma mensagem atribuída a Flávio Bolsonaro. Em 10 de dezembro de 2024, Miranda teria informado a Vorcaro que Frias participaria de uma reunião por ser o idealizador do projeto. As mensagens e transações ainda serão analisadas no âmbito das investigações, sem que haja, neste momento, conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Mario Frias foram procurados para comentar as investigações e não apresentaram manifestação até a conclusão deste texto. A investigação poderá incluir novas diligências, quebras de sigilo e pedidos de cooperação internacional, caso sejam necessários para rastrear o dinheiro e definir os responsáveis pelos eventuais ilícitos.
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