PF identifica R$ 8,93 milhões enviados à produtora de “Dark Horse”
A Polícia Federal mapeou R$ 8,93 milhões enviados por cinco remetentes à Go Up Entertainment durante as gravações de “Dark Horse”. A origem e a aplicação dos recursos são investigadas pela PF e pela CGU, mas o fluxo financeiro não comprova, isoladamente, irregularidade.

Divulgação
A Polícia Federal identificou o envio de R$ 8,93 milhões à Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O levantamento analisou movimentações realizadas entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período que coincidiu com as gravações do filme, feitas de 20 de outubro a 7 de dezembro.
Cinco remetentes concentram o volume apontado pela investigação: Moneycorp Banco de Câmbio, GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, Marcello de Oliveira Lopes, NTT Brasil e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). A soma das operações atribuídas a eles foi de R$ 8.930.376,40.
Quem enviou os recursos
A Moneycorp foi o principal remetente, com R$ 3.920.976,40 transferidos à produtora. Em segundo lugar apareceu a GO7, responsável por R$ 2.614.000. A empresa também é administrada por Karina Gama, proprietária da Go Up Entertainment.
Marcello de Oliveira Lopes, publicitário que integrou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, enviou R$ 1 milhão. A NTT Brasil transferiu R$ 750 mil. Já Mario Frias, produtor-executivo de “Dark Horse” e ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, realizou operações que somaram R$ 645.400.
Investigação analisa aplicação do dinheiro
A origem e a destinação dos valores são investigadas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União na Operação Make Up. As autoridades apuram possíveis irregularidades no uso de recursos públicos, na aplicação dos valores e na contratação de empresas ligadas ao projeto.
Os investigadores consideram os repasses feitos por Frias incompatíveis com a renda declarada pelo deputado. A avaliação, no entanto, integra a linha de apuração e não significa, por si só, comprovação de ilícito. Caberá à investigação estabelecer a origem do dinheiro, a finalidade de cada transferência e a existência de contratos ou contrapartidas.
O sigilo da investigação foi quebrado em 10 de setembro de 2026 pelo ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Frias e Karina Gama estão entre os alvos da operação, que também examina a atuação das empresas envolvidas no fluxo financeiro.
Publicitário nega irregularidade
Marcello de Oliveira Lopes negou que sua transferência tenha envolvido ilegalidade. Segundo ele, o dinheiro saiu de sua conta e foi tratado como investimento no filme. “O investimento foi realizado com recursos próprios, de forma regular, diretamente da minha conta, dentro da legalidade e devidamente formalizado. Preciso recuperar o meu dinheiro. O filme tem que dar lucro”, afirmou.
Os dados financeiros apontam quem enviou os recursos, mas não revelam isoladamente a natureza jurídica das operações. A conclusão sobre eventual irregularidade dependerá do cruzamento dos repasses com contratos, notas fiscais, prestação de contas e documentos que expliquem como o dinheiro foi utilizado na produção de “Dark Horse”.
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