Flávio Bolsonaro diz que ação de Dino sobre 'Dark Horse' é tentativa de golpe
O candidato à Presidência acusou o ministro do STF de autorizar uma 'pescaria probatória' e afirmou que a Polícia Federal já preparava a operação antes da decisão. Flávio Bolsonaro não apresentou provas de articulação entre autoridades.

Divulgação
Acusação contra decisão do STF
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que a operação da Polícia Federal sobre suspeitas envolvendo o filme “Dark Horse” confirma uma articulação política contra sua candidatura. Em transmissão ao vivo, ele classificou a autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), como uma “tentativa de golpe” e uma “pescaria probatória”.
Flávio Bolsonaro disse ter antecipado a atuação de Dino menos de 24 horas antes da operação. Ao usar a expressão “fishing expedition”, o candidato se referiu a uma busca ampla por provas sem um objeto suficientemente delimitado. A acusação, no entanto, não foi acompanhada de documentos que demonstrem uma articulação entre o ministro, integrantes do STF e autoridades da Polícia Federal.
Financiamento do filme é alvo da investigação
O presidenciável sustenta que as informações sobre o financiamento de “Dark Horse”, longa que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, já haviam sido apresentadas às autoridades. Ele afirmou que os recursos utilizados na produção eram privados e avaliou que Dino extrapolou os limites de um inquérito sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares.
Dino é o relator da investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo recursos destinados a entidades ligadas à produção do filme. A defesa de Flávio Bolsonaro informou que pretende pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de uma investigação sobre a atuação do ministro e sua possível suspeição para decidir sobre o caso.
Cronologia é usada para sustentar a tese
Para defender a existência de uma articulação, Flávio Bolsonaro citou uma reunião realizada em 2 de setembro entre Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O candidato afirmou, sem apresentar provas, que o encontro teria dado aval para ações contra sua candidatura.
Ele também mencionou a sucessão de decisões sobre a direção-geral da Polícia Federal. Em 8 de setembro, André Mendonça afastou cautelarmente Andrei Rodrigues. No dia seguinte, Dino determinou sua volta ao cargo, mas Edson Fachin suspendeu decisões conflitantes e manteve o diretor-geral na função.
Flávio Bolsonaro afirmou ainda que a autorização da operação foi assinada por Dino em 3 de setembro, uma semana antes da execução. Para o candidato, a data reforça a tese de que a medida já estava sendo preparada. “Isso tudo foi arquitetado”, declarou, novamente sem apresentar elementos que comprovem a acusação.
Menção a Lula e pedido de investigação
O candidato também incluiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na suposta articulação. Como argumento, citou uma entrevista do petista ao SBT marcada para a mesma data da operação. Flávio Bolsonaro alegou que o timing teria sido planejado para ampliar o desgaste eleitoral de sua campanha, faltando 24 dias para o primeiro turno, mas não exibiu provas da participação de Lula.
A defesa também citou um documento registrado em cartório pela produtora Karina Gama, que teria relatado ameaças para que ela fizesse uma delação contra Flávio Bolsonaro. As alegações mencionadas pelo candidato ainda não foram comprovadas. O STF deverá analisar no dia 15 de setembro outra controvérsia envolvendo material da Polícia Federal no caso Banco Master.
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