Fachin agiu corretamente e espero que coloque ordem na casa, diz Lula
Lula avaliou que Edson Fachin tomou as decisões adequadas para enfrentar a crise no STF e defendeu a quebra dos sigilos das investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. O plenário da Corte deve analisar os próximos rumos do caso em 15 de setembro.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (10 de setembro de 2026), que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, agiu de forma correta ao adotar medidas para conter a crise aberta entre ministros da Corte. Lula disse esperar que Fachin conduza uma apuração ampla e contribua para restaurar a confiança da sociedade na instituição.
“Fachin agiu corretamente ontem. Ele vai ter que pegar esse processo e trazer para ele, colocar ordem na casa e fazer com que a Suprema Corte faça um processo de apuração. Apure tudo, divulgue tudo, doa a quem doer”, declarou o presidente. Para Lula, a transparência é indispensável para recuperar o prestígio do tribunal, considerado a instituição Judiciária mais poderosa do país.
Decisões de Fachin buscam conter a crise
As declarações foram feitas depois que Fachin revogou a designação do ministro Alexandre de Moraes para conduzir o chamado inquérito das fake news. O presidente do STF também suspendeu decisões tomadas por André Mendonça e Flávio Dino, medidas que tiveram como efeito manter o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no comando da corporação.
A atuação de Fachin representa uma tentativa de recompor a autoridade da Presidência da Corte e levar os conflitos ao colegiado. A centralização dos pedidos sob sua condução deve reduzir a sobreposição de decisões individuais, embora a solução definitiva dependa do julgamento pelo plenário.
Lula defende abertura dos sigilos
Lula voltou a defender a quebra de sigilo nas investigações associadas ao Banco Master e ao INSS. Segundo o presidente, a divulgação dos elementos relevantes ajudaria a combater os “vazamentos seletivos” e permitiria que a sociedade acompanhasse o conjunto das apurações. “Que abra a janela e deixe a democracia passar”, afirmou.
Impacto sobre o processo eleitoral
Ao comentar os reflexos da crise na corrida eleitoral, Lula sustentou que uma investigação conduzida pelo STF não deveria interferir no pleito. Na avaliação do presidente, a apuração precisa seguir seus ritos institucionais e ser tratada com naturalidade, sem se transformar em fator de instabilidade política.
Relatório da PF deu início ao embate
A crise começou em 1º de setembro, quando André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que apontava conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A apuração também mencionou contratos milionários firmados com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e tratou de investigações sobre fraudes atribuídas à instituição financeira.
Mendonça pediu que o caso fosse encaminhado ao plenário. No mesmo dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou a nulidade do relatório, argumentando que a iniciativa havia interferido indevidamente nas investigações em andamento.
STF marca julgamento para 15 de setembro
Em resposta, Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade. No pedido, apresentado no âmbito do inquérito das fake news, o ministro citou um relatório de inteligência da Polícia Federal para sustentar que Mendonça teria direcionado apurações contra adversários. Dias depois, Mendonça apontou irregularidades na produção desse documento e afastou cautelarmente o chefe da PF de suas funções. A Advocacia-Geral da União recorreu da decisão, e Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues.
Com a revogação da condução do inquérito por Moraes e a suspensão das decisões conflitantes, Fachin busca estabelecer um rito único para o caso. Em 15 de setembro, o plenário do STF realizará uma sessão aberta para decidir se há base para investigar Alexandre de Moraes. O julgamento será um teste à capacidade da Corte de resolver internamente a crise e restabelecer limites institucionais claros.
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