PF diz que Vorcaro articulava campanha para influenciar STF e TCU
Polícia Federal investiga se campanha atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro buscou interferir em decisões sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal de Contas da União.

Divulgação
A Polícia Federal afirma que uma campanha atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, teria sido organizada para defender sua imagem e influenciar decisões em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU). A hipótese é apurada no Inquérito 5.035, instaurado em 28 de janeiro de 2026, que investiga uma possível manipulação do fluxo de informações sobre o caso Master nas redes sociais.
Objetivo atribuído à campanha
Na portaria que abriu o inquérito, a delegada Nathalia Ribeiro Leite Silva registra a suspeita de contratação de empresa de marketing para divulgar conteúdo negativo contra o Banco Central. A estratégia teria buscado atribuir à autarquia a responsabilidade pelos fatos investigados na Operação Compliance Zero. Segundo a PF, a ação tinha dois propósitos centrais: dificultar o avanço das investigações e auxiliar Vorcaro a influenciar decisões nos dois tribunais.
As informações integram uma investigação preliminar e não representam conclusão sobre a culpabilidade de Vorcaro ou de qualquer pessoa citada. A própria PF reconhece que ainda precisa apurar a extensão da articulação, a origem das ordens, os pagamentos e a participação de cada profissional envolvido.
Empresas, contratos e influenciadores
O plano teria recebido internamente o nome de Projeto DV, referência às iniciais de Daniel Vorcaro. A polícia identifica a Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, ligada a Thiago Miranda, e abordagens atribuídas a Júnior Favoreto, da GroupBR. Em um dos registros, um pagamento a um influenciador teria sido feito da conta pessoal de Miranda. Outro contrato previa o envio de matérias, links e orientações sobre o tema que deveria ser abordado.
A portaria, contudo, não afirma expressamente que Vorcaro tenha dado ordens diretamente a Miranda ou comandado cada contato com influenciadores. A relação descrita pela PF é a de uma estratégia voltada aos interesses do banqueiro, executada por empresas e profissionais de comunicação.
Como a investigação começou
O inquérito foi aberto com base em duas Informações de Polícia Judiciária produzidas pela própria PF. A primeira reuniu relatos públicos de influenciadores que disseram ter recebido propostas para produzir conteúdo favorável ao Banco Master. A segunda identificou perfis e publicações que, segundo a inteligência policial, possivelmente participaram da ofensiva digital.
Processos no STF e no TCU
A menção aos dois tribunais está relacionada aos processos que envolvem o Banco Master e suas consequências institucionais. A PF sustenta que a campanha também buscava levantar dúvidas sobre a atuação do Banco Central na liquidação da instituição financeira. Para a corporação, os indícios podem configurar organização criminosa, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados durante as apurações.
Contexto da Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Em fevereiro de 2026, o ministro André Mendonça autorizou a continuidade de perícias e diligências ordinárias, mas estabeleceu um rígido sistema de compartimentação das informações. O acesso aos dados ficou condicionado à atuação direta na investigação, e não à posição hierárquica dos agentes.
O caso coloca sob exame a diferença entre ações legítimas de defesa reputacional e uma eventual tentativa coordenada de pressionar instituições e alterar o curso de investigações. Caberá à PF reunir elementos que confirmem ou afastem a existência dessa articulação.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








