Petista aciona STF após alegação de recursos dos EUA na campanha de Flávio
Lindbergh Farias pediu ao Supremo Tribunal Federal a apuração de uma suposta entrada direta ou indireta de recursos estrangeiros na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A representação foi motivada por declarações de Renan Santos sobre a Rockbridge Network, mas nenhum documento que comprove repasses internacionais foi apresentado.

Divulgação
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou nesta sexta-feira (11 de setembro de 2026) uma notícia de fato ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a apuração de uma suposta entrada direta ou indireta de recursos estrangeiros na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). A representação solicita o encaminhamento do caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) e o envio de cópias ao Procurador-Geral Eleitoral.
Declarações de Renan Santos motivam o pedido
A iniciativa de Lindbergh tem como base declarações públicas do candidato à Presidência Renan Santos (Missão). Segundo ele, documentos em sua posse poderiam indicar o envolvimento da Rockbridge Network, rede de financiadores políticos dos Estados Unidos, com a campanha de Flávio. Renan afirmou estar disposto a entregar esse material, mas nem ele nem o deputado petista apresentaram provas de repasses internacionais até o momento.
A Rockbridge Network foi fundada em 2019 por JD Vance, atual vice-presidente dos Estados Unidos, e pelo empresário Chris Buskirk, sócio de Donald Trump Jr. A menção à organização ganhou relevância política por sua ligação com integrantes do movimento conservador americano que se aproximou de aliados de Donald Trump.
Petição pede rastreamento de recursos e contratos
Além das declarações de Renan Santos, a representação cita contatos entre empresários brasileiros e membros da organização, bem como viagens e reuniões com dirigentes da rede. Para Lindbergh, essas informações precisam ser examinadas formalmente para esclarecer se houve entrada de dinheiro estrangeiro na campanha, ainda que por meio de intermediários.
O petista pediu a investigação da origem dos recursos utilizados na campanha, das movimentações financeiras de possíveis intermediários e dos contratos de prestação de serviços eleitorais. A representação também prevê a solicitação de cooperação às autoridades dos Estados Unidos, caso seja necessário verificar operações ou vínculos fora do Brasil.
Lei eleitoral proíbe financiamento estrangeiro
A legislação brasileira veda o recebimento, direto ou indireto, de recursos de origem estrangeira para financiar campanhas. A proibição está prevista na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). A existência de uma articulação política ou de contatos com organizações internacionais, porém, não comprova, por si só, a realização de repasses vedados.
Consequências dependerão de comprovação
Se eventual transferência ilegal for confirmada, o caso poderá gerar a apuração de crimes e irregularidades eleitorais, como captação ilícita de recursos, caixa 2, lavagem de dinheiro e abuso de poder econômico. A representação também menciona possíveis efeitos como cassação de registro ou diploma, declaração de inelegibilidade e sanções ao Partido Liberal. Todas essas medidas, contudo, dependem de provas, do andamento das investigações e de decisões das instâncias competentes.
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