Pezeshkian chama EUA e Israel de “terroristas” em discurso na ONU
Em discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou Estados Unidos e Israel de ataques contra civis e violações do direito internacional. A fala respondeu às declarações de Donald Trump e reforçou a disposição iraniana de negociar sem aceitar imposições.

Divulgação
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian chamou os Estados Unidos e Israel de terroristas" em discurso na ONU durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em 23 de setembro de 2026. O pronunciamento representou uma escalada no tom diplomático após a fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou “aniquilar o Irã” caso não seja alcançado um acordo.
Resposta às ameaças de Trump
Pezeshkian afirmou que ajustou o discurso depois das declarações de Trump, proferidas na véspera. O republicano disse que poderia levar o Irã “para o inferno” caso o impasse continue. Os dois países estão em guerra desde fevereiro de 2026, em um dos confrontos mais graves já registrados no Oriente Médio.
O presidente iraniano rejeitou as acusações de terrorismo feitas por Washington e disse que EUA e Israel são os verdadeiros responsáveis por ações terroristas contra o Irã, ao alvejarem civis e violarem normas internacionais. “Eles nos acusam de terrorismo, mas são responsáveis por ações terroristas. Eles nos atingiram e nós reagimos, mas nunca alvejamos civis……. Israel alveja seus vizinhos e comete assassinatos em Gaza, onde 85 mil civis foram brutalmente mortos”, declarou.
Delegação dos EUA deixa o plenário
A comitiva norte-americana se retirou do plenário no início do discurso do presidente iraniano. A saída faz parte da praxe diplomática da Assembleia Geral quando representantes de países adversários rejeições, representantes de países com posições contrárias adotam esse gesto como sinal de condenação ao discurso do rival.
Durante a apresentação, Pezeshkian exibiu imagens para sustentar suas acusações. Entre o material estavam um pôster do ex-líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques norte-americanos, em 28 de fevereiro, e fotografias de crianças de uma escola que, segundo o presidente, teria sido bombardeada pelos Estados Unidos. Ele também citou Lome, onde um ginásio teria sido atingido por armas de múltiplas ogivas enquanto crianças brincavam no local.
Programa nuclear e diálogo diplomático
Pezeshkian defendeu que uma paz duradoura no Oriente Médio depende de justiça para a Palestina e afirmou que as questões nucleares não serão resolvidas no campo de batalha. Também disse que o Irã não considera os países vizinhos do Golfo Pérsico rivais de segurança.
Sobre o programa nuclear, o presidente sustentou que o país mantém o direito de usar tecnologia atômica para fins pacíficos, inclusive em saúde, agricultura e geração de energia. Segundo ele, o Irã não busca autorização de outros países para se defender de agressões.
Ao criticar o que chamou de duplo padrão internacional, Pezeshkian afirmou: “A arma nuclear está em Israel, mas os inspetores estão no Irã. Israel mata, mas o Irã é sujeito a sanções”. Ao encerrar, disse estar disposto ao diálogo e à diplomacia, mas não à capitulação diante da linguagem da força.
O discurso reforça a divisão entre Teerã e Washington e indica que, apesar da abertura declarada para negociações, o governo iraniano continua firme na defesa de seu programa nuclear e de sua resposta militar aos ataques sofridos.
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