Oposição articula regra para automatizar tramitação de impeachment de ministros do STF
Oposição no Senado prepara mudança regimental para fazer pedidos de impeachment de ministros do STF tramitarem automaticamente com 49 assinaturas. A proposta ainda não tem texto definitivo e amplia o embate sobre os poderes da Presidência da Casa.

Divulgação
Proposta muda fluxo de pedidos no Senado
A oposição no Senado articula uma mudança no regimento interno da Casa para retirar da Presidência do Senado a decisão sobre o avanço de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta, ainda em elaboração, prevê que a tramitação seja iniciada automaticamente quando o pedido alcançar 49 assinaturas de parlamentares.
A ideia é que, atingido esse número, um requerimento reconheça a existência de crime de responsabilidade e encaminhe o processo sem depender da manifestação do presidente da Casa. A oposição ainda não apresentou texto definitivo nem detalhou como funcionariam a análise, os prazos, a votação e os critérios para a admissibilidade das assinaturas.
Disputa sobre o poder da Presidência do Senado
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) informou que existem 109 pedidos de impeachment contra integrantes da Corte no Congresso. Segundo ele, o volume não é normal, mas o senador não indicou se pretende dar prosseguimento a algum dos processos.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que já existem 61 assinaturas de senadores favoráveis ao afastamento do ministro Alexandre de Moraes. Para Marinho, o regimento atual concede poder excessivo ao presidente do Senado e permite que a oposição fique sem avançar mesmo quando reúne apoio suficiente entre os parlamentares.
A mudança regimental exigirá apoio de senadores além da bancada oposicionista e deve reacender o debate sobre os limites de atuação da Presidência da Casa. A definição de regras pode ainda provocar discussão sobre o equilíbrio entre a autonomia do presidente do Senado e o direito de minorias parlamentares de colocar temas em votação.
Reforma do Judiciário entra na pauta
Marinho também defende uma reforma do Judiciário para retirar do STF competências criminais. O senador sustenta que é necessário ampliar a transparência em investigações e assegurar paridade de armas entre acusação e defesa nos processos judiciais.
Ele citou casos como Dark Horse, INSS e o inquérito das fake news para defender tratamento uniforme e transparência em diferentes frentes investigações. A oposição pretende discutir a mudança regimental como parte de uma agenda mais ampla para limitar competências do STF. As propostas podem ser tratadas em conjunto, embora envolvam temas distintos e exijam negociações no Congresso.
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