Ministros recebem cópia integral dos dados extraídos do celular de Vorcaro
A Polícia Federal enviou aos ministros do STF os dados brutos extraídos do celular de Daniel Vorcaro. O material, que continua sob sigilo, será analisado antes do julgamento sobre a possibilidade de a PF prosseguir com investigações relacionadas ao Banco Master.

Divulgação
A Polícia Federal encaminhou a todos os ministros do Supremo Tribunal Federal uma cópia integral dos dados brutos extraídos do celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O material, que continua sob sigilo, será examined pelos magistrados antes da sessão extraordinária marcada para terça-feira, 15 de setembro de 2026.
Dados serão analisados sem interferência da PF
Por determinação do ministro Cristiano Zanin, os investigadores disponibilizaram as informações coletadas sem avaliações ou interpretações da Polícia Federal. A medida atende a uma solicitação feita no domingo, 13 de setembro, para que o plenário tivesse acesso à íntegra do conteúdo do aparelho antes de avaliar o caso envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A liberação permite que os ministros verifiquem diretamente o contexto, a abrangência e a consistência das informações encontradas. O sigilo permanece válido, e o material inclui dados de diferentes naturezas, inclusive conteúdos que ainda não foram mencionados nos documentos apresentados pela PF.
Plenário decidirá se investigações podem avançar
Na sessão extraordinária, os ministros deverão analisar um relatório produzido pela Polícia Federal por ordem do ministro André Mendonça. O documento identificou mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes e apontou indícios de conversas sobre investigações relacionadas a fraudes no Banco Master. O relatório também tratou de contratos milionários firmados com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Antes de autorizar o prosseguimento das investigações, Mendonça submeteu o caso ao Plenário do STF. Caberá agora aos ministros decidir se a PF está autorizada a continuar apurando as possíveis irregularidades ou se os procedimentos adotados devem ser considerados inválidos.
PGR questiona legalidade do procedimento
A Procuradoria-Geral da República sustenta que houve irregularidades no andamento do caso. A primeira objection se refere à determinação de diligências contra pessoas específicas sem requerimento do Ministério Público ou iniciativa da própria Polícia Federal. A PGR também defende que qualquer investigação envolvendo ministro do STF dependeria de autorização do plenário e deveria ser encaminhada à Presidência da Corte.
O procurador-geral da República, Gonet, também foi citado no relatório que motivou o envio do caso ao plenário. Ele, porém, optou por tratar das referências ao próprio nome em procedimento preliminar no âmbito do Ministério Público Federal, sob a relatoria do subprocurador-geral Francisco Sanseverino.
Disputa sobre o rito antecede julgamento
No dia 11 de setembro, Gonet determinou que outros dois subprocuradores-gerais, Antonio Edílson Teixeira Magalhães e André de Carvalho Ramos, auxiliem Hindemburgo Chateaubriand nas investigações sobre o Banco Master. Dias depois, pediu que todos os dados do celular de Vorcaro fossem disponibilizados aos ministros antes da sessão.
Mendonça contestou o pedido no domingo, 13 de setembro, alegando risco de tumultuar o julgamento. A sessão começará às 10h, com discussão de questões preliminares, manifestação da PGR e voto do relator. O ministro Luiz Fux defendeu a aplicação da ordem regimental, do membro mais recente ao mais antigo, cabendo ao presidente do STF proclamar o resultado.
Após as manifestações iniciais, os ministros poderão debater o mérito do pedido da PF. Qualquer integrante do plenário terá a possibilidade de pedir vista, o que interromperia a votação e postergaria a conclusão do julgamento. O ministro Gilmar Mendes já defendeu o adiamento da sessão, avaliando que ainda não haveria maturidade suficiente para a análise definitiva do processo.
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