Moro defende Paraná sem aliados de Lula caso petista seja reeleito
Em entrevista exclusiva, candidato ao governo do Paraná pelo PL reforça necessidade de gestão eficiente e alerta para riscos de governos alinhados ao PT no estado.

A apenas um ano do pleito de 2026, o senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao Palácio do Iguaçu, traçou um cenário pessimista para a eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência da República. No entanto, o ex-juiz da Operação Lava Jato destacou que, diante desse contexto, caberia ao Paraná buscar uma administração estadual independente dos aliados do presidente petista. A declaração foi feita durante sabatina exclusiva à CNN Brasil, onde Moro avaliou não apenas a conjuntura política nacional, mas também os reflexos para o estado.
Paraná precisa de gestão ‘não alinhada’ a Lula, diz Moro
Moro, que protagonizou uma das mais acirradas disputas judiciais contra Lula na Lava Jato — resultando na condenação e prisão do ex-presidente —, argumentou que a população paranaense estaria cansada da gestão federal petista. Contudo, ao analisar um cenário de reeleição de Lula, o candidato do PL enfatizou a importância de evitar que o estado seja governado por figuras alinhadas ao Palácio do Planalto.
“As pessoas estão fartas do Lula. Mas, se acontecer o pior para o país [a vitória do presidente], é melhor que nós tenhamos no Palácio do Iguaçu alguém que não seja o aliado do Lula, seja esse o candidato da esquerda aqui no Paraná, do PT e do PDT, ou seja, essa frente ampla do centrão que sempre deu apoio ao Lula nesses 4 anos.”, declarou.
O ex-ministro da Justiça ainda comparou o risco de uma administração estadual alinhada ao governo federal com casos como os da Bahia e do Ceará, onde, segundo ele, a expansão do crime organizado teria sido favorecida por políticas governamentais. “Será um desastre econômico. Aconteceria como a Bahia e o Ceará, em que a gente vê o crescimento, a expansão do crime organizado em todo o estado.”, alertou.
Diálogo entre Executivos federal e estadual é possível, afirma Moro
Apesar das críticas ao petista, Moro não descartou a possibilidade de uma relação construtiva entre o Palácio do Planalto e o futuro governo paranaense — caso ele seja eleito. Para ilustrar sua posição, o candidato citou o exemplo da atual gestão do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), descrito como “o melhor governador do país”, mesmo não sendo aliado político de Lula. “Acho que o melhor governador hoje do país não é exatamente um aliado do Lula, que é o Tarcísio. Nós queremos trazer essa eficiência de gestão, queremos, né, mudar o patamar de desenvolvimento econômico aqui do nosso estado.”, afirmou.
Ainda durante a entrevista, Moro reafirmou seu compromisso com a defesa do Estado de Direito, ecoando sua atuação na Lava Jato. Segundo ele, a condenação de Lula e a prisão do ex-presidente representaram “um salto em matéria de defesa do Estado de Direito e do governo de leis”. “Quando eu condenei o Lula, quando minha decisão foi confirmada no tribunal, quando o Supremo autorizou a prisão do ex-presidente, nós demos um salto em matéria de defesa do Estado de Direito. Nós precisamos retomar esses tempos no nosso país e, aqui no Paraná, nós não vamos omitir.”, declarou.
A agenda dos candidatos ao governo do Paraná
A cobertura eleitoral da CNN Brasil tem priorizado os principais postulantes ao governo do Paraná, seguindo o ranking do Índice CNN, que agrega dados de pesquisas do Ipespe Analítica. Nesta semana, a emissora já realizou entrevistas com Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD), enquanto a sabatina de Moro foi ao ar na quarta-feira (2). As próximas entrevistas estão programadas para quinta-feira (3), com o candidato do PSD. A programação também inclui debates presidenciais e estaduais, como o agendado para 23 de setembro, além de uma rodada específica para São Paulo no dia 18 do mesmo mês.
A iniciativa faz parte de um pool de 11 veículos de comunicação, incluindo SBT, RedeTV!, Exame, Terra, Metrópoles e Rádio Itatiaia, que se uniram para garantir uma cobertura abrangente das eleições de 2026.



