Lula busca trégua em crise entre STF, PF e Pgr até eleições
Presidente trava diálogos para apaziguar tensões envolvendo ministros do Supremo, PF e PGR, com foco em evitar desdobramentos públicos até o pleito. Medidas como votação virtual do caso Mendonça são estudadas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou esforços para conter a crise institucional que ganha contornos políticos delicados, com protagonistas do Supremo Tribunal Federal (STF), Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR). Na última semana, o mandatário manteve encontros com o presidente da Corte, Edson Fachin, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master. As reuniões, ocorridas no Palácio do Planalto entre terça (1º) e quarta-feira (2), revelam a urgência em amenizar um conflito que ameaça expor divisões internas na gestão pública.
A tensão escalou após divergências entre Andrei e Mendonça, agravadas por acusações mútuas de vazamento de informações sigilosas. Lula, segundo interlocutores próximos, teme que o isolamento de Andrei — afastado do ministro da Justiça, Wellington Silva, e do advogado-geral da União, Jorge Messias — fragilize ainda mais a estabilidade do governo. Em declarações privadas, o presidente deixou claro não querer alimentar a crise, defendendo a necessidade de pacificar o ambiente antes das eleições.
O ministro Mendonça, por sua vez, desmentiu qualquer responsabilidade pelo vazamento que expôs conversas de seu filho com a lobista Roberta Luchsinger, sugerindo suposta tentativa de tráfico de influência. Em contrapartida, Lula, durante sabatina no *Jornal Nacional*, atribuiu diretamente à PF a responsabilidade pela divulgação indevida de dados, o que aprofundou o distanciamento entre as instituições. Mendonça ainda ofereceu aos advogados de Lulinha a realização de perícia para atestar o lacre das informações, tentativa de desarmar as suspeitas.
A estratégia de adiamento parece ganhar força entre aliados de Fachin, que recomendam evitar decisões polêmicas até o pleito. O Supremo estaria avaliando a possibilidade de submeter ao plenário virtual uma análise sobre a legalidade da extração de dados do inquérito sem autorização da Corte — uma tese defendida pela PGR. A votação remota seria uma forma de reduzir confrontos públicos entre os ministros, embora a pressão por um desfecho permaneça latente.
No Congresso, o senador Davi Alcolumbre (União) mantém postura firme: afirmou em círculos fechados que só aceitaria pautar o impeachment do ministro Mendonça, sinalizando que a crise pode se politizar ainda mais nos próximos meses. A escalada de tensões, portanto, não só desafia a coesão institucional como também antecipa um cenário de alta voltagem política até o encerramento do ano eleitoral.



