Milton Leite nega relação com o Pcc e diz que vai se apresentar à Justiça
Alvo de mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, o ex-presidente da Câmara de São Paulo afirma desconhecer integrantes da facção e diz que se apresentará às autoridades acompanhado de advogados.

Divulgação
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) negou qualquer ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Alvo de um mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, ele afirmou que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas, acompanhado de advogados, para cumprir a decisão judicial.
Leite nega envolvimento com a facção
Em nota, Leite afirmou desconhecer integrantes da organização criminosa e rejeitou a existência de irregularidades em suas relações com empresas de ônibus. Segundo ele, o contato com o setor era institucional e fazia parte das atividades que desenvolveu no governo municipal.
O ex-vereador disse que, em 2019, a pedido do então prefeito Bruno Covas, passou a conduzir assuntos relacionados ao transporte. Ele informou ter participado de reuniões com servidores da SPTrans e tratado de questões ligadas à greve dos trabalhadores do setor, sempre no exercício de funções institucionais.
Prisão e apresentação às autoridades
Leite confirmou a existência do mandado de prisão e garantiu que pretende cumpri-lo. Ele pediu um prazo de 24 horas para organizar documentos e preparar a defesa. Segundo o político, estava fora da capital paulista por causa de agendas de campanha do partido e, por isso, não considera que esteja foragido.
Operação investiga infiltração no transporte
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público investigam a atuação de uma organização criminosa no sistema de transporte coletivo e sua possível infiltração na política. A Operação Vectura Corrupta cumpre 16 mandados de prisão e 18 ordens de busca e apreensão na capital, na Região Metropolitana e no litoral paulista. Até a divulgação das primeiras informações, nove suspeitos haviam sido presos.
As investigações apontam a existência de núcleos envolvidos em lavagem de dinheiro e na articulação de integrantes da facção no ambiente político. Segundo as autoridades, advogados e políticos teriam participado da estratégia criminosa. A apuração também identificou o uso de pelo menos 12 empresas de transporte coletivo em São Paulo e no interior, com indícios de que parte dos negócios servia para ocultar recursos provenientes de crimes.
Desdobramento da Operação Dercúrio
A Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro associado ao tráfico de drogas. Naquele trabalho, foram identificadas redes de comunicação usadas pela facção, incluindo os grupos chamados de “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, além de planos para lançar integrantes da organização como candidatos nas eleições municipais.
As ordens judiciais são cumpridas em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. A operação continua em andamento, e as investigações devem avançar sobre a relação entre empresas de transporte, recursos financeiros e estruturas políticas.
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