Milei diz esperar que Brasil deixe “rumo socialista decadente”
Javier Milei voltou a defender uma virada liberal no Brasil e reafirmou seu apoio a Flávio Bolsonaro durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Divulgação
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta quarta-feira (23), durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, esperar que o Brasil abandone o que classificou como um “rumo socialista decadente”. Sem citar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o argentino disse desejar que o país volte a “abraçar a ideia da liberdade” e passe a integrar o chamado grupo de nações livres.
Brasil e o Escudo das Américas
Milei foi questionado sobre a possibilidade de o Brasil aderir ao Escudo das Américas caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente. Segundo o presidente argentino, a decisão deve ser tomada pelo Brasil, mas sua declaração reafirma o apoio do governo argentino a uma aproximação do país com a coalizão liderada pelos Estados Unidos. O Escudo das Américas foi criado em março para ampliar a cooperação regional no combate ao narcotráfico e ao crime organizado. O Brasil ainda não integra o grupo.
Aliança com Flávio Bolsonaro
O tema não surpreende pela trajetória recente entre Milei e Flávio. O argentino já declarou apoio à candidatura do senador e, em junho, depois de receber o político na residência oficial da Presidência argentina, afirmou que uma “onda azul” viria pelas mãos de Flávio Bolsonaro. Em 25 de julho, Milei esteve no Brasil para participar da convenção nacional do PL, em São Paulo, evento que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência e contou com um discurso em seu favor.
Posicionamento ganha novo contexto
A fala durante a ONU conecta o apoio pessoal de Milei a uma discussão estratégica sobre segurança, política externa e modelo econômico. Ao associar a adesão ao Escudo das Américas à defesa da liberdade, o argentino insere uma pauta de cooperação contra o crime organizado em um debate ideológico mais amplo. A intervenção pode influenciar a percepção de aliados e adversários, mas não representa compromisso do governo argentino com uma futura política brasileira.
Próximos desdobramentos
A candidatura de Flávio Bolsonaro transforma declarações como essa em parte do planejamento político para um eventual mandato. Caso vença a eleição, a adesão ao Escudo das Américas deverá depender de avaliação sobre soberania nacional, inteligência, recursos e prioridades do governo. Até o resultado eleitoral, a fala de Milei permanece como posicionamento político e evidencia a proximidade entre os dois líderes.
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