Eduardo Bolsonaro reage a Gilmar e fala em preparação para “verdadeiro golpe”
Eduardo Bolsonaro respondeu às declarações de Gilmar Mendes sobre o risco de politização no TSE e afirmou, sem detalhar a acusação, que estaria sendo preparado um “verdadeiro golpe”. O episódio ocorre em meio ao desgaste entre o decano do STF e integrantes da Corte Eleitoral.

Divulgação
Acusação sem detalhes
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta quarta-feira (23 de setembro de 2026) que “estão preparando a narrativa e o terreno para um verdadeiro golpe”. A declaração foi publicada por ele no X como resposta às recentes manifestações do ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a atuação de integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em sua mensagem, Eduardo escreveu que “não há nada ganho”, mas não explicou a quem se referia nem apresentou detalhes sobre a suposta articulação. A ausência de informações sobre autoria, método ou cronologia mantém a acusação em um campo genérico, sem elementos adicionais que permitam avaliar a extensão do que foi alegado.
Gilmar alerta contra politização do TSE
Gilmar Mendes afirmou no fim de semana que o principal risco à Justiça Eleitoral “vem de dentro” e está relacionado à politização da instituição. Segundo o ministro, integrantes do TSE que atuem em favor de proselitismo partidário deveriam avaliar se ainda possuem condições de permanecer no tribunal.
O decano também defendeu que o STF continue exercendo o papel de instância de supervisão, com intervenções quando considerar necessário para preservar a Constituição e os precedentes da Corte. A declaração reforça a postura adotada pelo Supremo em temas eleitorais e institucionais relevantes.
Desgaste entre ministros
As declarações ocorreram em meio aos atritos entre Gilmar e os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, que ocupam, respectivamente, a vice-presidência e a presidência do TSE nas eleições de 2026. A disputa pública ganhou força após divergências relacionadas a decisões e atuações no âmbito da Corte Eleitoral.
Dias antes, Gilmar chamou Mendonça de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral” ao comentar sua atuação no caso envolvendo o Banco Master. O ministro do STF sustentou que Mendonça teria levado o Supremo para o debate eleitoral de forma indevida. André Mendonça rejeitou a acusação e negou ter transformado a Corte em “palanque”.
Gilmar também já havia pedido a saída de Nunes Marques do TSE. Em uma troca de mensagens entre os ministros, escreveu: “Você tem que sair do TSE também”. A frase aumentou a tensão entre os magistrados em um momento de maior exposição política das instituições responsáveis pelas eleições.
Embate institucional
A reação de Eduardo Bolsonaro transforma o desgaste já existente entre membros do STF e do TSE em um novo capítulo do debate político nacional. De um lado, Gilmar Mendes defende que a Justiça Eleitoral seja preservada de interferências partidárias. De outro, o ex-deputado interpreta as manifestações como parte de uma preparação para um “verdadeiro golpe”, sem esclarecer publicamente os fundamentos da acusação.
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