Milei chama ONU de inútil e promete agir sobre as Malvinas
Durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, o presidente argentino Javier Milei voltou a criticar a organização e afirmou que a Argentina adotará medidas sobre a disputa com o Reino Unido pelas Ilhas Malvinas. Ele também defendeu Israel e buscou atrair investimentos para o país.

Divulgação
O presidente da Argentina, Javier Milei, usou o discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, nesta quarta-feira (23 de setembro de 2026), para fazer uma crítica contundente à atuação da entidade. Ao citar a disputa pelas Ilhas Malvinas, ele afirmou que o país deixará de apenas aguardar uma solução internacional e adotará providências sobre o território administrado pelo Reino Unido.
Críticas à atuação da ONU
Em seu terceiro discurso como chefe de Estado argentino no fórum multilateral, Milei classificou a ONU como uma organização incapaz de garantir a segurança coletiva e fazer cumprir suas próprias decisões. Ele também criticou a postura da entidade em relação a Israel e acusou a burocracia internacional de não conter o avanço do caos e da violência.
“A ONU se transformou em uma organização inútil que só serve para alimentar uma casta de parasitas arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados”, afirmou o presidente. Para Milei, a entidade falhou em sua missão original e passou a abrigar uma estrutura que, segundo ele, não representa de forma eficiente os interesses dos países e das populações.
Malvinas como exemplo de impasse
A soberania das Ilhas Malvinas foi usada por Milei como exemplo do que considera ineficácia da ONU. A organização reconhece a existência da disputa entre Argentina e Reino Unido, mas não conseguiu promover uma solução definitiva para o caso, que permanece aberto há décadas.
“As Malvinas não são apenas uma questão entre a Argentina e o Reino Unido, mas também colocam em questão a capacidade desta organização de fazer valer suas próprias resoluções”, disse o presidente argentino. Ele questionou a manutenção de decisões internacionais sem efeitos práticos e encerrou o tema prometendo ação, sem detalhar quais medidas serão adotadas.
Reação britânica e histórico da disputa
A comitiva britânica permaneceu no plenário durante todo o discurso. Na tradição diplomática da Assembleia Geral, representantes de países envolvidos em confrontos políticos costumam abandonar a sala durante a fala de adversários como forma de protesto. A permanência dos delegados do Reino Unido, portanto, contrastou com esse protocolo habitual.
O arquipélago fica a cerca de 400 quilômetros da costa argentina e a quase 13 mil quilômetros do Reino Unido. A disputa culminou na Guerra das Malvinas, em 1982, quando tropas argentinas tentaram retomar o controle do território. O conflito terminou com a rendição da Argentina e deixou 649 militares argentinos mortos, mas a reivindicação de soberania continua presente na política externa do país.
Alinhamento com Israel e busca por investimentos
Milei também reforçou sua aproximação com Israel. Lendo de um texto impresso em vez de acompanhar o teleprompter, declarou que a Argentina se alinhou “sem ambiguidade” ao Ocidente, aos Estados Unidos e ao Estado israelense, com os quais afirma compartilhar valores e interesses estratégicos.
Ao final do discurso, o presidente tentou projetar a Argentina como destino para cientistas, empreendedores e investidores. Ele destacou as reservas de petróleo, minerais críticos e alimentos do país, além de defender o desenvolvimento da inteligência artificial. Segundo Milei, o objetivo é transformar o potencial nacional em competitividade e poder econômico.
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