Michelle Bachelet retira candidatura à secretária-geral da ONU
Ex-presidente do Chile desistiu da disputa após queda nas pesquisas informais do Conselho de Segurança e perda do apoio de seu país. Rebeca Grynspan passa a ser vista como favorita para suceder António Guterres.

Divulgação
A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou, no sábado (19), a retirada de sua candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. Aos 74 anos, ela abriu mão da disputa após o enfraquecimento de seu apoio no Conselho de Segurança e a perda do respaldo do governo chileno.
Em mensagem publicada em suas redes sociais, Bachelet afirmou que não se arrepende de ter enfrentado o desafio. Segundo ela, a campanha ajudou a colocar na agenda internacional a defesa de uma mulher latino-americana à frente da principal organização multilateral do mundo.
Derrota nas pesquisas informais
A decisão foi tomada depois da terceira rodada informal de consultas realizada entre os membros do Conselho de Segurança. Bachelet recebeu apenas um voto favorável, 11 contrários e três abstenções. O resultado representou uma queda acentuada em relação às consultas anteriores: em julho, ela havia conquistado seis apoios, e em agosto, dois.
A perda do apoio do Chile, associada ao posicionamento do presidente José Antonio Kast, também reduziu a força política da candidatura. Mesmo com o respaldo mantido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, Bachelet não conseguiu formar uma coalizão capaz de viabilizar seu nome no conselho.
Grynspan assume favoritismo
Com a saída da ex-presidente chilena, Rebeca Grynspan, da Costa Rica e atual chefe da agência de comércio e desenvolvimento da ONU, passa a figurar como favorita. Ainda permanecem na disputa a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett, o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, o ex-presidente senegalês Macky Sall e a diplomata equatoriana Maria Fernanda Espinosa.
O vencedor da disputa sucederá António Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026. O próximo secretário-geral assumirá uma organização pressionada por conflitos internacionais, disputas geopolíticas e uma crise financeira marcada por atrasos no pagamento das contribuições dos países-membros.
A retirada de Bachelet encerra a tentativa de eleger a primeira mulher para comandar a ONU em mais de oito décadas de existência. A disputa, no entanto, mantém em debate a necessidade de maior representação da América Latina e de lideranças comprometidas com o multilateralismo, os direitos humanos e a defesa do direito internacional.
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