Mensagens não indicam ilegalidade, diz Alcolumbre
A presidência do Senado afirmou que as conversas entre Davi Alcolumbre e Daniel Vorcaro não apontam irregularidades e anunciou medidas judiciais. O material divulgado revela proximidade entre os dois, mas não apresenta contexto que comprove, por si só, a prática de ilícitos.

Divulgação
A presidência do Senado informou nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, que as mensagens trocadas entre Davi Alcolumbre e o banqueiro Daniel Vorcaro «não indicam ilegalidade alguma». Em nota, Alcolumbre criticou a divulgação das conversas, classificou a publicação como «sensacionalismo barato» e afirmou que adotará medidas judiciais contra a revista responsável pelo conteúdo.
Defesa anuncia medidas judiciais
O texto divulgado pela presidência do Senado sustenta que foram utilizadas mensagens de caráter pessoal, inclusive de terceiros, sem que houvesse a devida checagem ou oportunidade de manifestação prévia. Alcolumbre também afirmou que não se deixará intimidar e que buscará, «dentro da lei», a apuração da verdade e a responsabilização daqueles que considera autores de um ataque à sua honra e à sua trajetória pública.
Conversas mostram proximidade, mas não comprovam ilícito
O material divulgado inclui mensagens trocadas em 1º de fevereiro de 2025, quando Alcolumbre foi eleito novamente presidente do Senado. Ao receber parabéns de Vorcaro, o senador respondeu com a expressão «fala, meu amor» e reforçou os laços de amizade ao se declarar seu «irmão para a vida toda». O banqueiro, por sua vez, afirmou ser leal ao senador «a qualquer tempo, para qualquer coisa».
A intimidade registrada nas conversas demonstra uma relação próxima entre as partes, mas, isoladamente, não comprova a prática de crime ou de irregularidade. Vorcaro é investigado no contexto de suspeitas envolvendo operações do Banco Master, o que aumenta o interesse público sobre os contatos, mas não transfere automaticamente ao senador qualquer responsabilidade pelos atos sob apuração. A eventual relevância jurídica das mensagens dependerá de sua autenticidade, do contexto completo e da existência de outros elementos de prova.
Grupo reunia banqueiro e aliados
Outros trechos publicados mostram Vorcaro e Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, organizando encontros em um grupo de WhatsApp chamado «Grupo Macallan». As mensagens, datadas de 26 de outubro de 2023, trazem comentários informais sobre a presença de Alcolumbre e instruções para uma festa, incluindo horário de chegada e traje preto. O conjunto reconstrui parte do círculo social frequentado pelo banqueiro, sem apresentar, nesses trechos, evidência direta de negociação ilícita.
Trecho sobre «nosso amigo» continua sem contexto
Uma das passagens chama mais atenção porque Vorcaro menciona «nosso amigo» e Alcolumbre responde: «Estou em cima. Pressão». Não há informações suficientes para identificar a pessoa citada ou determinar o teor da cobrança. Sem a sequência completa da conversa e a participação dos envolvidos, a frase permanece ambígua e não permite conclusão segura sobre pressão política, favorecimento ou qualquer conduta ilegal.
Caso será acompanhado pela Justiça
A disputa judicial anunciada por Alcolumbre deverá examinar a origem das mensagens, a forma como foram obtidas e divulgadas, além dos possíveis danos à sua imagem. Ao mesmo tempo, a proximidade entre uma autoridade central do Legislativo e um empresário sob investigação exige transparência e apuração cuidadosa. A distinção entre relacionamento pessoal, relevância política e prova de ilegalidade será determinante para avaliar o caso sem antecipar conclusões.
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