Mario Frias diz que patrocínio do Master ao filme “Dark Horse” não é crime
Deputado alvo da operação Make Up defende que o patrocínio privado não configura ilegalidade sem promessa de contrapartida e contesta a motivação da investigação.

Divulgação
Defesa de Mario Frias
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) afirmou que o patrocínio do Banco Master à cinebiografia “Dark Horse”, dedicada à vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, não configura crime por si só. Para o parlamentar, a existência de uma contrapartida ou de uma promessa de prática de ato de ofício seria necessária para caracterizar eventual irregularidade na operação financeira.
Frias também afirmou que as mensagens divulgadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, não indicariam troca de favores. Segundo ele, as conversas trataram do financiamento do longa-metragem e não conteriam pedidos de projetos de lei, benefícios ou promessas ligadas ao exercício do mandato.
Comparação com outros investimentos
O deputado citou outros investimentos do Banco Master para questionar a forma como o caso do filme vem sendo investigado. Entre os exemplos estão os R$ 160 milhões destinados ao Caldeirão do Huck, em 2025, os R$ 300 milhões ligados ao Atlético-MG e o patrocínio ao 1º Summit Valor Econômico Brasil-USA, encontro que reuniu empresários e autoridades.
Frias observou que o Supremo Tribunal Federal não teria aberto investigações sobre essas outras operações de patrocínio. Para o parlamentar, a diferença no tratamento entre os casos demonstra que a apuração sobre “Dark Horse” poderia ser usada para criar suspeitas contra Bolsonaro, que aparece entre os favoritos nas pesquisas presidenciais.
Investigações em andamento
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a operação Make Up com autorização do ministro Flávio Dino, do STF. A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Frias figurou entre os alvo da investigação, que apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares e de uso desses valores em contratos relacionados à produção da cinebiografia.
Segundo a PF, o deputado destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil por meio de duas emendas parlamentares de 2024. A corporação também investiga uma possível engenharia financeira envolvendo o parlamentar, organizações, fornecedores e a empresa responsável pela produção do filme. As investigações ainda estão em andamento e não representam conclusão sobre responsabilidade por eventual ilícito.
Inquérito separado sobre o Banco Master
A apuração sobre o financiamento de “Dark Horse” também é conduzida pelo ministro André Mendonça, no STF, em inquérito relacionado ao Banco Master. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro e divulgadas anteriormente mostraram conversas sobre a proposta de patrocínio ao longa. O caso segue sob análise das autoridades, que apuram a origem dos recursos, os contratos e eventuais relações com mandatos políticos.
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