Lula interrompe Eduardo Leite após comparação com transposição do São Francisco
Durante reunião em Canoas sobre recursos do Novo PAC para recuperação de áreas afetadas por enchentes, Lula questionou a demora na execução das obras no Rio Grande do Sul. Eduardo Leite comparou os trabalhos gaúchos à transposição do São Francisco e à BR-116, mas o presidente rejeitou a comparação e cobrou projetos prontos para liberar verbas.

Divulgação
Discussão sobre obras no Rio Grande do Sul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva interrompeu o governador Eduardo Leite durante uma reunião em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, nesta sexta-feira, 11 de setembro. O encontro tratou da recuperação de áreas atingidas pelas enchentes de 2024 e da aplicação de recursos do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos.
Lula questionou por que os R$ 6,5 bilhões destinados pelo Novo PAC ainda não haviam sido integralmente utilizados em projetos de drenagem e prevenção de desastres no Rio Grande do Sul. Ao explicar os trâmites necessários, Leite afirmou que se tratava de obras monumentais e comparou a situação à transposição do rio São Francisco, iniciada décadas atrás.
Lula rejeita comparação com obra no Nordeste
O governador lembrou que o projeto da transposição começou nos anos 1990, teve sua contratação durante o primeiro mandato de Lula e levou cerca de 12 anos para apresentar as primeiras entregas funcionais. Leite ressaltou que não fazia uma crítica, mas buscava demonstrar a complexidade e a extensão temporal de trabalhos dessa natureza.
Lula, no entanto, respondeu que não queria comparações. Segundo o presidente, a transposição começou com 470 quilômetros e atualmente alcança 1.400 quilômetros, além de contar com 15 mil quilômetros de adutoras. Ele também destacou que a obra, inicialmente voltada a três estados, passou a atender uma área maior, mas voltou a concentrar a conversa na necessidade de acelerar os projetos gaúchos.
Leite cita transposição e BR-116
Eduardo Leite insistiu na comparação e disse que respondia com a responsabilidade exigida pelo tema. Segundo ele, as obras no Rio Grande do Sul estão sendo revisitadas para garantir projetos bem estruturados, especialmente na região metropolitana. O governador também citou a BR-116, iniciada no estado no fim do segundo mandato de Lula com a promessa de conclusão em 2014 e ainda não finalizada.
Para Leite, comparar empreendimentos de grande porte ajuda a dimensionar corretamente cada obra e a atribuir responsabilidades ao longo dos diferentes governos. A divergência evidenciou a tensão entre a cobrança federal por agilidade na execução dos recursos e a defesa estadual de prazos mais longos para projetos complexos de infraestrutura.
Recursos serão destinados à drenagem em Canoas
Durante a visita, Lula assinou a transferência de R$ 1,5 bilhão para a Prefeitura de Canoas. O dinheiro integra o pacote de R$ 6,5 bilhões do Novo PAC e será utilizado em obras de drenagem destinadas a reduzir os impactos de novos eventos climáticos extremos.
Em seu discurso, o presidente defendeu que grandes obras sejam concluídas dentro do mandato em que recebem os principais investimentos. Segundo Lula, é comum no Brasil que projetos iniciados por um governante sejam paralisados por seu sucessor, o que aumenta custos, atrasa entregas e prejudica a população.
“Se a gente pega uma obra dessa e a gente não termina enquanto a gente está governando, qualquer um que entrar pode parar”, afirmou Lula. A declaração reforçou o compromisso anunciado pelo governo federal de priorizar a continuidade das obras e evitar que mudanças políticas interrompam investimentos considerados estratégicos.
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