Lula intensifica uso de selfies e eleva engajamento digital em 22% na reta final da campanha
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma nova tática em sua campanha eleitoral, intensificando a produção de vídeos no formato selfie, o que resultou em um crescimento de 22% no engajamento em suas redes sociais. A mudança estratégica, que incluiu uma abordagem mais direta e um discurso focado em direitos e políticas públicas, ocorreu em um período crítico da disputa, mesmo com a manutenção de um alto percentual de menções negativas nas plataformas digitais.

Divulgação
A campanha eleitoral ganhou um novo ritmo nas redes sociais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após o primeiro turno, uma mudança estratégica no conteúdo digital do petista impulsionou significativamente seu alcance, com a intensificação da produção de vídeos no formato selfie. Essa guinada resultou em um notável aumento de 22% no engajamento em suas plataformas, evidenciando a busca por uma conexão mais direta e pessoal com o eleitorado em um momento crucial da disputa presidencial.
A virada digital na campanha
Em apenas cinco dias, entre 5 e 9 de outubro, o ex-presidente acumulou 29,2 milhões de interações em 167 publicações nas principais redes sociais — Facebook, Instagram, TikTok e X. A média de 175 mil interações por post representa um crescimento de 22% em comparação com o período que antecedeu a votação do primeiro turno. Além do engajamento, a estratégia rendeu a Lula 1,05 milhão de novos seguidores, um aumento de 2,67% em menos de uma semana, um volume que corresponde a cerca de 74% do total conquistado nas sete semanas anteriores de campanha. O volume de menções ao candidato em português também saltou 52,3%, totalizando 13,3 milhões de citações em diversas plataformas digitais.
Do conselho à adesão: a estratégia por trás das selfies
A mudança de tática não foi casual. Em reuniões pós-primeiro turno, uma sugestão do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para que o ex-presidente fizesse mais selfies foi prontamente acatada. A partir de então, Lula, que historicamente demonstrava certa resistência ao uso de telefones celulares, chegou a publicar mais de dez vídeos nesse formato. Em um desses momentos, o próprio candidato brincou, afirmando que estava se tornando o "rei das selfies". A nova abordagem também veio acompanhada de uma alteração no tom do discurso, que se tornou mais incisivo contra o adversário, enfatizando a importância de preservar direitos e políticas públicas que, segundo a campanha, estariam ameaçadas.
Engajamento em alta, críticas permanecem
Apesar do aumento expressivo no alcance e nas interações, a visibilidade ampliada não alterou substancialmente a proporção de menções negativas. Levantamentos indicam que 46% das citações a Lula nas redes sociais foram classificadas como negativas, em contraste com 22,8% de menções positivas. Esses percentuais são muito semelhantes aos registrados na semana que antecedeu o primeiro turno (48,5% negativas e 22,4% positivas), sugerindo que o crescimento de audiência não se traduziu em uma melhora na percepção ou na redução das críticas ao candidato. A campanha, ciente desse cenário, intensificou a retórica, associando o oponente a potenciais cortes em áreas essenciais como saúde e educação.
O olhar dos especialistas e os desafios da política digital
Especialistas em comunicação política, como a cientista política Tathiana Chicarino, coordenadora da graduação em Sociologia e Política da FESPSP, avaliam que a personalização é um fator crucial para o engajamento nas plataformas digitais. Segundo ela, vídeos diretos do candidato tendem a ter um desempenho superior a conteúdos genéricos, e o risco de artificialidade é minimizado quando a mensagem está alinhada à trajetória do político. Chicarino também destaca a omnipresença da política digital, mesmo para quem consome pouca mídia tradicional, dada a alta penetração de aplicativos como WhatsApp e redes como TikTok. No entanto, a especialista alerta para a necessidade de os partidos, muitos deles estruturados antes da era da internet, se adaptarem a essa nova lógica, além de apontar os desafios impostos pela opacidade dos algoritmos das plataformas. A campanha de Lula, inclusive, já havia acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em diversas ocasiões para tratar de questões relacionadas ao funcionamento dessas empresas.
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