Lula diz que está ganhando de Trump na disputa por narrativa
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, Lula criticou o estilo de comunicação de Donald Trump e afirmou que o Brasil pode contestá-lo sem entrar em conflito direto. No mesmo ato, defendeu a cultura como instrumento de inclusão e projeção internacional.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparou, nesta quarta-feira (23 de setembro de 2026), o discurso proferido na abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas ao estilo adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante ato com artistas no Rio de Janeiro, Lula criticou a insistência do americano em destacar a força militar e econômica do país que comanda, afirmando que ele se apresenta como alguém que ameaça todos.
Contraste entre os discursos
Lula ressaltou que Trump costuma encerrar suas declarações com frases sobre o tamanho do Exército, da Marinha, dos avanços tecnológicos e do poderio dos Estados Unidos. Para o presidente brasileiro, essa abordagem transmite a impressão de que Washington busca se impor sobre os demais países. Em contraponto, Lula disse que conhece a dimensão do Brasil e não pretende transformar a relação com Trump em uma disputa militar.
“Eu, como sei do meu tamanho, não quero fazer guerra com ele, eu quero ganhar dele na narrativa. E nós estamos ganhando na narrativa”, afirmou Lula. A declaração coloca a disputa em um campo simbólico e político, no qual o Brasil procura afirmar sua posição internacional sem reproduzir o tom de ameaça associado ao comando americano.
A comparação também foi interpretada como uma tentativa de opor dois modelos de comunicação. Trump constrói sua presença internacional a partir da exaltação do poderio nacional, enquanto Lula busca apresentar o Brasil como um país em desenvolvimento capaz de defender seus interesses por meio da diplomacia e da projeção cultural.
Cultura como instrumento político
Além de comentar o encontro na ONU, Lula defendeu a consolidação de políticas públicas voltadas à cultura. Para o presidente, a cultura é um meio de devolver às pessoas o prazer de viver em suas comunidades e de transformar produções locais em referências capazes de circular pelo mundo.
O evento realizado na Fundição Progresso reuniu artistas como Chico Buarque, Geraldo Azevedo, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Malu Mader, Marieta Severo, Daniela Mercury, Zélia Duncan, Caio Blat, Julia Lemmertz e muitos outros nomes da música, do teatro e da televisão. A presença desses profissionais reforçou o caráter cultural do encontro e aproximou a discussão sobre arte da agenda política do governo.
Caetano Veloso e Maria Bethânia estavam entre os artistas aguardados, mas não compareceram ao evento. Os dois haviam anunciado apoio a Lula recentemente: Caetano fez uma manifestação pública durante show no Distrito Federal, enquanto Bethânia apoiou o petista durante apresentação em São Paulo. As declarações dos irmãos reforçam o apoio de figuras de destaque da cultura brasileira à campanha de Lula em 2026.
O ato contou ainda com a deputada Benedita da Silva, candidata do PT ao Senado no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), a primeira-dama Janja Lula da Silva e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. A presença desses nomes indicou a articulação entre o governo federal, lideranças políticas do Rio de Janeiro e setores culturais que sustentam a prioridade dada às políticas de cultura.
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