Lula diz que credibilidade da ONU nunca esteve tão baixa
Durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Lula criticou o imobilismo do Conselho de Segurança e o poder de veto das grandes potências. O presidente defendeu uma reunião extraordinária do grupo para discutir guerras, crises internacionais e a necessidade de fortalecer o direito internacional.

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Crítica ao imobilismo internacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (22 de setembro de 2026), que a credibilidade da Organização das Nações Unidas (ONU) “nunca esteve tão baixa”. Durante a abertura da 81ª Assembleia Geral, em Nova York, Lula classificou o momento atual como o mais crítico desde sua primeira participação na tribuna da entidade, em 2003.
Segundo o presidente, a ONU falha em uma de suas missões fundamentais: proteger populações vulneráveis e prevenir conflitos capazes de ameaçar a paz internacional. Para Lula, a incapacidade de conter guerras e crises humanitárias revela uma combinação de paralisia institucional, disputas entre potências e ausência de liderança coletiva.
Brasil defende mudanças no Conselho de Segurança
Um dos principais alvos da crítica foi o Conselho de Segurança, formado por China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Os cinco países possuem poder de veto, mecanismo que pode impedir a aprovação de resoluções mesmo quando há apoio da maioria dos membros. Lula argumentou que esse privilégio permite “insensatez” às grandes potências e compromete a capacidade da ONU de agir diante de violações do direito internacional.
“Esse vício deu origem à Carta da ONU, que conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez”, afirmou. O presidente também disse que o Brasil alerta para os riscos do veto desde 1946, durante a primeira sessão da Assembleia Geral da organização. A fala retoma uma posição histórica da diplomacia brasileira, favorável à ampliação e à modernização do conselho para torná-lo mais representativo.
Lula reconheceu a “realidade do poder” nas relações internacionais, mas advertiu que as concessões à chamada “lei do mais forte” ultrapassaram limites aceitáveis. Em sua avaliação, liderar no mundo atual exige conciliar os interesses nacionais com as responsabilidades perante a humanidade, especialmente em um cenário marcado por interdependência econômica, conflitos armados e crises humanitárias.
Agenda brasileira em Nova York
O presidente propôs que os líderes dos países integrantes do Conselho de Segurança se reúnam para discutir o atual cenário internacional. A viagem a Nova York, no entanto, foi programada para ser curta. Lula chegou aos Estados Unidos no domingo (20) e tem retorno previsto para a própria terça-feira, após o discurso na Assembleia Geral.
Antes da sessão, o presidente participou de encontros bilaterais, incluindo uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Também está prevista uma agenda com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A comitiva brasileira acompanha ainda debates sobre a Palestina, a solução de dois Estados, desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário.
Esta foi a 11ª vez que Lula participou da abertura da Assembleia Geral da ONU como presidente da República. A entidade segue sob pressão para demonstrar eficácia diante de conflitos prolongados e de divergências entre suas principais potências, enquanto países como o Brasil pressionam por uma arquitetura internacional considerada mais equilibrada e representativa.
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