Lula diz na ONU que Brasil 'não cabe no quintal de ninguém'
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente criticou a ingerência externa, defendeu a integração latino-americana e alertou para a perda de credibilidade da organização internacional.

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Discurso na Assembleia Geral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22), durante o discurso na Assembleia Geral da ONU, que o Brasil não deve aceitar qualquer forma de submissão ou ingerência externa. Para Lula, a proximidade geográfica entre o Brasil e os Estados Unidos é inevitável, mas não pode ser interpretada como perda da autonomia nacional.
A declaração de que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” foi recebida com aplausos durante a sessão. O presidente relacionou a crítica ao que chamou de recrudescimento de tentações hegemônicas e defendeu que os países da América Latina e do Caribe avancem em uma agenda comum de desenvolvimento.
Integração sem separação ideológica
Lula defendeu que diferenças políticas e ideológicas não devem impedir a aproximação entre os povos latino-americanos. Segundo o presidente, a região precisa fortalecer sua capacidade de decisão coletiva e enfrentar os desafios econômicos e sociais sem aceitar a divisão do mundo em zonas de influência.
O tema da democracia foi um dos pontos centrais do pronunciamento. Lula afirmou que o regime democrático voltou a estar em xeque na região e criticou a interferência externa em processos eleitorais. Ao tratar da Venezuela, destacou que o povo venezuelano deve definir seu próprio destino, enquanto afirmou que a Nicarágua não resolverá seus problemas se impedir a oposição de participar das eleições.
O presidente também condenou o que classificou como investidas neocoloniais em busca de recursos estratégicos. A crítica incluiu a crise no Haiti e o embargo econômico contra Cuba, casos apresentados por Lula como exemplos de práticas que afastam a região de sua autonomia histórica.
Críticas à ONU
No início da fala, Lula avaliou que este é o momento mais crítico das Nações Unidas desde sua primeira participação na tribuna, em 2003. O presidente disse sentir indignação com a atuação da organização internacional e afirmou que a ONU tem falhado em sua missão de evitar guerras e proteger populações vulneráveis.
Para o presidente, a credibilidade da ONU nunca esteve tão baixa. Lula criticou o Conselho de Segurança e pediu que os países integrantes do órgão atuem com responsabilidade e urgência diante dos conflitos internacionais. “A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política”, afirmou.
Conflitos internacionais e diplomacia
Lula também dirigiu críticas à atuação de Israel na Faixa de Gaza e acusou o governo de Benjamin Netanyahu de praticar genocídio contra mulheres e crianças palestinas. Ao mesmo tempo, ressaltou que jovens israelenses pagaram um preço pelo radicalismo e pela intolerância associados aos atos terroristas do Hamas.
Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, o presidente afirmou que não haverá vencedores no campo de batalha e voltou a defender a diplomacia como a única alternativa viável para encerrar o conflito. A posição reforça a tentativa brasileira de ocupar espaço como mediador em disputas internacionais, mesmo diante das diferenças com Washington.
Combate ao crime organizado
Na parte final do discurso, Lula tratou do combate ao crime organizado e afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas que atuam além das fronteiras. O presidente rejeitou a presença de porta-aviões estrangeiros para vigilância das águas brasileiras, mas defendeu a cooperação internacional para combater o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro no exterior.
Lula informou que a proposta foi apresentada diretamente ao presidente dos Estados Unidos e destacou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. O órgão reúne autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos e tem como objetivo ampliar o combate ao crime organizado transnacional.
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